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BATISMO - RITO DE BONS AUSPÍCIOS DO RECOMEÇO





Batismo - Rito de Bons Auspícios do Recomeço


Prática ritual de adesão do batizando às Religiões Afro-brasileiras, mas principalmente, uma cobertura, bons auspícios e proteção àquele que (re)começa sua vida terrena (reencarnação).

O ritual também tem a finalidade de purificar, de receber solenemente o batizando, permitindo-lhe se assim desejar, fazendo uso de seu livro arbítrio, continuar na Iniciação das Religiões Afro-brasileiras. É o primeiro passo, o início para aqueles que desejam a Iniciação, ou seja, conhecer o início de todas as coisas, inclusive de si mesmo, e isto é muito importante no processo de identificação do indivíduo consigo mesmo, com a alteridade e, principalmente, com seu destino.

Quanto ao rito em discussão nesta publicação é o de uma criança que vai receber as bênçãos do batismo (purificado pelas águas do espírito), para que possa levar a bom termo sua presente reencarnação, ou seja, seu destino. É importante que se afirme que a “criança” que sofre o batismo, pode, quando tiver plena consciência, ratificar ou retificar o ato, mas estará sempre acobertado pelos poderes das Religiões Afro-brasileiras.

O RITUAL

1. 1. A prédica versa sobre a possibilidade das múltiplas vidas e suas aberturas no consciencial do indivíduo reencarnado. Explica-se que, segundo a Teologia Umbandista, todos são filhos espirituais dos Orixás, sendo esses de origem divina, portanto pais divinos de todos os seres espirituais carnados ou descarnados, em várias dimensões do universo.

O batismo na Umbanda, nas Religiões Afro-brasileiras como um todo, prende-se ao ato de conectar o indivíduo com seu Orixá ou Pai Divino, por intermédio da purificação do Ori (cabeça) e da reestruturação das energias fundamentais para esta conexão. A essa energia primeva que permite a vida, a existência, e o poder de realização é o que denominamos Axé. Assim o batismo conecta o indivíduo com seu Orixá, por intermédio do Axé – Força Vital que a tudo preside – que reside no Ori, na cabeça – consciência – individualidade.

2. 2.Os elementos fundamentais para o rito são:

2.a. Uma pequena bacia de louça com água consagrada pelo sacerdote oficiante.

2.b. Sal acondicionado em continente pequeno, de louça branca.

2.c. Mel – idem ao item 2.b

2.d. Pó de pemba branca pilada e imantada acrescentada com ervas de Oxalá (dono do Ori).

2.e. Flores brancas (pois o batismo relaciona-se com a cabeça – Ori.

2.f. Água de Cheiro

FUNDAMENTOS DO RITO

O rito é antecedido por rezas, cânticos e gestos rituais. O batizando é chamado pelo nome três vezes, e somente após esse chamamento os pais se aproximam com a criança.

Podem também ser evocadas as presenças de padrinhos ou testemunhas que se responsabilizarão pelo batizando na ausência dos pais, e mesmo naquilo que for necessário para ele levar a bom termo sua presente reencarnação. Por isso o sacerdote quando chama os padrinhos abençoa-os com suas rezas e lhes sopra “pó de pemba” que representa as bênçãos dos Orixás.

Tudo pronto para o início do batismo. O sacerdote faz suas rezas afins ao rito, consagra os quatro cantos, invocando as bênçãos dos Orixás – os Senhores dos quatro elementos – ar, fogo, água e terra.

Em ato contínuo dá ao batizando para experimentar o sal, afirmando que isto o preservará de todos os males, conservando-o com saúde, não lhe faltando o alimento, o trabalho, o afeto e a amizade fraterna. Em seguida asperge suavemente uma pitada de sal no Ori (no alto da cabeça)

Novas rezas e cânticos, e o mel é oferecido ao batizando, dizendo-lhe: que este mel represente o doce da vida, o afeto, a alegria e a devoção que neutraliza todo ódio e desarmonias várias. A seguir verte uma gota de mel no Ori.

Continuando, pede aos padrinhos que se aproximem com as velas brancas e acesas (pequenas – delicadas), afirmando que essas luzes iluminarão seu caminho, sua jornada terrena, sendo também um escudo espiritual contra os anjos das sombras ou possíveis inimigos.

Os padrinhos entregam as velas ao sacerdote que as ergue fazendo orações em benefícios do batizando e padrinhos, para, a seguir, colocá-las no peji.

Os cânticos e as rezas se intensificam se aproxima o ponto culminante do rito.

O sacerdote pega as flores brancas (duas) pelas hastes e mergulha-as na água lustral imantada, consagrada e asperge-a no Ori do batizando. A seguir coloca uma flor na região occipital ao mesmo tempo que a outra é colocada na região frontal. Passado e futuro se entrelaçam, ancestrais e divindades são invocadas para abençoar e acobertar (proteção).

Num movimento harmonioso, mas efetivo, o sacerdote faz suas rezas e coloca as flores nos lados direito e esquerdo da cabeça da criança, invocando a proteção dos elementos masculinos e femininos afins.

A seguir sopra pemba pilada e as pétalas de flores caem de suas mãos entreabertas sobre a cabeça do batizando. Ato contínuo derrama água de cheiro no chão e pede que os caminhos do batizando sejam de paz e harmonia.

Pedindo as bênçãos dos Orixás com rezas e cânticos, diz que ele como sacerdote, em nome dos Orixás e dos Ancestrais Ilustres, considera a criança batizada segundo os preceitos das Religiões Afro-brasileiras. Que Olodumare (Tupã, Zamby), Orunmilá-Ifá (Deus da sabedoria e do destino) e todos os Orixás possam abênçoá-la com suas poderosas vibrações de paz, luz e felicidades, promotoras de um destino auspicioso.

Novos cânticos, rezas, cumprimentos, alegria e felicidade. Mais um ser espiritual abençoado e batizado pela Sagrada Corrente Astral de Umbanda e por todas as Religiões Afro-brasileiras. Aranauan, Motumbá, Axé, Saravá!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

COSMOGÊNESE E PLANETOGÊNESE NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS





Cosmogênese e Planetogênese na visão das Religiões Afro-brasileiras

RESUMO

Os princípios espirituais, por intermédio do Poder Operante dos Orixás (Senhores da Luz Espiritual), foram manifestados na Cosmogênese. A gênese cósmica deveu-se aos Orixás, cujos poderes volitivos expressos em ciclos e ritmos particulares foram expressos na substância primeva (energia escura) subtraindo-lhe a indiferenciação e o aspecto caótico. O instante primevo da Cosmogênese, como reação ou efeito do Poder Volitivo dos Orixás, produziu três fenômenos arquetipais: luz, som e movimento.

A Planetogênese imitou a Cosmogênese (criação do cosmos). A substância fundamental do Sol (Hélio e outros elementos – luz) sofreu sobre si o Poder Volitivo dos Orixás que deu origem ao Sistema Solar. Dentro desse Sistema, focalizemos nossos estudos no Planeta Terra, nosso mundo de evolução e vida.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente, Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Positiva (matéria mental abstrata) e energia mental negativa (matéria mental concreta) dão origem, por rebaixamento de sua vibração essencial, à Energia Astral. A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá formação a quatro energias, totalizando o setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta. Na dimensão grosseira, densa, é a deflagradora de quatro estados de manifestação ou concretização.

Palavras-chave: Cosmogênese, Doutrina do Tríplice Caminho, Orixás, Planetogênese, Religiões Afro-brasileiras.

ABSTRACT

Spiritual principles, through the Power of the Operant Orishas (Lords of Spiritual Light) were expressed in the Cosmogenesis. The cosmic genesis was due to the Orishas, whose volitional powers expressed in cycles and particular rhythms were expressed in primal substance (dark energy) subtracting from this the undifferentiated and the chaotic aspect. The primal moment of Cosmogenesis, as a reaction or an effect of the Orisha Volitional Power, produced three archetypal phenomena: light, sound and movement.

The Planetogenesis imitated Cosmogenesis (creation of the cosmos). The fundamental substance of the Sun (Helium and other elements - light) has suffered on itself the Volitional Power of the Orishas, which led to the Solar System. Within this system, we focused our studies on Planet Earth, our world of evolution and life.

The substances that compose the planet Earth are also Septenary. The Bipolarized Energy in Positive Mental Energy (abstract mental matter) and negative mental energy (concrete mental matter), by lowering its essential vibration, gives birth to the Astral Energy. The Astral Energy, by dissociation or emission, forms four energies, totaling sevenfold. The Astral Energy is the basic constituent of the subtle, hyperphysic dimension of the planet. At the ragged, dense dimension, triggers four states of manifestation or concrealization.

Keywords: Cosmogenesis, Triple Way Doctrine, Orishas, Planetogenesis, Afro-Brazilian Religions.

COSMOGÊNESE E PLANETOGÊNESE NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Os princípios espirituais, por intermédio do Poder Operante dos Orixás (Senhores da Luz Espiritual), foram manifestados na Cosmogênese.

A gênese cósmica deveu-se aos Orixás, cujos poderes volitivos expressos em ciclos e ritmos particulares foram expressos na substância primeva (energia escura) subtraindo-lhe a indiferenciação e o aspecto caótico.

O instante primevo da Cosmogênese, como reação ou efeito do Poder Volitivo dos Orixás, produziu três fenômenos arquetipais:

Os Orixás Virginais – “Senhores da Coroa Divina” estenderam seus atributos unos modificados à Hierarquia Virginal. Os atributos inerentes à “Coroa Divina” eram: Onisciência, Onipotência, Onipresença.

Esses atributos virginais manifestaram-se nos seres espirituais como percepção, consciência, inteligência, amor, vontade, etc.

Os atributos unos aludidos se expressaram na cosmogênese por meio dos três fenômenos arquetipais.

Assim tivemos:

- Onisciência manifestada como luz cósmica – sete cores fundamentais

- Onipotência manifestada como som cósmico – sete notas musicais

- Onipresença manifestada como movimento cósmico – sete forças fundamentais.

Apreciando com atenção o que até aqui expusemos, não terá o prezado leitor amigo dificuldades em atender a relação ou analogia que fizemos com a Doutrina do Tríplice Caminho ou dos Três Caminhos-Unos, que pretende interpretar para os diversos ângulos de interpretação, o significado da Luz Cósmica, do Som Cósmico e do Movimento Cósmico.

Avançando em nossa exposição, poderemos afirmar que o Cosmos é a manifestação ou concretização do Poder Volitivo ou Operante dos Orixás e Hierarquia e, portanto, Sagrado, Divino.

Centralizemos nossa percepção e atenção em nosso Sistema Solar e, em especial, no planeta Terra. Este orbita sob os influxos vibracionais do Sol, luminar que lhe dá sustentação, vida e luz. Remontemos, então, há aproximadamente 4.3 bilhões de anos e penetremos na Planetogênese (criação do planeta Terra).

A Planetogênese imitou a Cosmogênese (criação do cosmos). A substância fundamental do Sol (Hélio e outros elementos – luz) sofreu sobre si o Poder Volitivo dos Orixás que deu origem ao Sistema Solar. Dentro desse Sistema, focalizemos nossos estudos no Planeta Terra, nosso mundo de evolução e vida.

Mais uma vez, o Poder Operante dos Orixás, manifesto em ciclos e ritmos, deu origem à Setessência da matéria, em analogia com os Três Princípios Arquetipais.

Esta Setessência apresenta-se, em obediência aos “Três Princípios”, posicionada em três planos coexistentes e interdependentes, denominados:

Plano Mental, associado à Luz Espiritual, pedra angular dos fundamentos da Luz Divina;

Plano Astral, associado ao Verbo Espiritual, pedra angular dos fundamentos do Verbo Divino;

Plano Etéreo-Físico, associado ao Movimento Espiritual, pedra angular dos fundamentos da Lei Divina.

A “matéria” que constitui o plano mental é dita sutilíssima, origem ou arquétipo das forças vivas ou energias sutis.

A “matéria” que constitui o plano astral é nomeada sutil, sendo a primeira manifestação da energia sutilíssima. Esta energia astral é origem das forças sutis, ares vitais, prana, tattwas, etc.

No plano etéreo-físico temos a densificação máxima permitida à energia-massa segundo os limites vibracionais e gravitacionais relativos ao planeta Terra.

Esta energia-massa possui cinco estados físicos: sólido, líquido, gasoso, plasmático e boseano, que são consolidações de elementos sutis, também denominados de elementais: terra, água, fogo, ar e éter.

O estado etérico (fluido gerador ou espaço inercial), o Akasha, conhecido por outras religiões, está inteiramente aderido ao plano físico, sendo o quinto elemento, que é, na verdade, geratriz dos demais.

Após esta descrição da constituição da matéria física e hiperfísica do planeta (veículos concretizadores dos vários planos e manifestações da energia), façamos o mesmo com o homem. Entenderemos, assim, as íntimas relações deste (microcosmo) com o Planeta e mesmo com o Cosmos (macrocosmo).

“A planetogênese imita a cosmogênese; analogamente, afirmamos que a antropogênese imitou a planetogênese”.

A última assertiva nos faz concluir que os Sete Orixás Planetários (na verdade dezesseis) nos influenciam tanto quanto ao Planeta Terra e são nossos Genitores Kármicos, com a particularidade de que a cada nova reencarnação, segundo o momento de nosso nascimento, ficamos sob o influxo mais direto de um Orixá.

Antes de compreendermos o mecanismo de, a cada nova reencarnação, ficarmos sob os influxos vibracionais de determinado Orixá, penetremos nas analogias entre macrocosmo e microcosmo.

O Ser Espiritual, o homem reencarnado, tal qual o planeta é constituído de elementos densos, sutis e sutilíssimos.

O organismo ou veículo dimensional constituído de energia sutilíssima é o mental. Este organismo é a sede da consciência, vela a Essência Espiritual, a Autoconsciência – a Luz Espiritual. É o organismo mais rarefeito, refletindo de forma mais fidedigna o Ser Espiritual em essência.

O veículo intermediário entre o mais sutil e o denso é o organismo astral, sede eletiva dos sentimentos, das emoções. Vela a vontade, a percepção, o Verbo Espiritual. Nele encontramos os centros de iluminação, conhecidos como chakras em outras religiões, que são a representação do organismo mental no organismo astral.

Os centros de iluminação superiores regulam a atividade dos órgãos astrais e físicos relacionados; mais diretamente, as funções mentais; os intermediários à vida astralizada e os inferiores, à vida física.

No último organismo, o etéreo-físico, constituído de sólidos, líquidos, gases e éteres, é onde se situa a sede das sensações, das ações, da manifestação; é considerado a concretização dos demais veículos dimensionais.

Resumindo, diremos que o organismo mental está afeto ao pensamento, o organismo astral ao sentimento, o organismo etéreo-físico à ação. Recorrendo novamente aos processos analógicos, associemos os três organismos a sistemas e órgãos de equivalência no organismo etéreo-físico.

Assim fazemos com a finalidade de demonstrar que os organismos dimensionais são um contínuo vibracional, ou seja, feixes de vibrações que vão gradativamente se condensando até manifestarem o organismo físico denso.

Neste organismo físico denso, segundo nossas afirmações, poderemos encontrar representantes dos outros dois organismos mais sutis (feixes vibracionais ou campos eletromagnéticos menos condensados).

Assim o organismo mental tem seu ponto de equivalência no corpo físico, na cabeça (cérebro ou encéfalo, ou todo sistema nervoso central), principalmente nos órgãos de relação, com visão (olhos) e audição (ouvidos). Fazendo a interconexão com os demais organismos há o fluido nervoso, consolidado no líquido cefalorraquidiano (liquor).

O organismo astral tem seu ponto ou região de equivalência no tórax, principalmente no sistema fono-cardiorespiratório (laringe, coração e pulmões), sistema hematológico, órgãos hematopoéticos, sistema endócrino ou imunoendocrinologico. O elemento de ordem astral condensado que faz a conexão com os demais organismos é o fluido prânico (sangue – com suas duas partes: sérica [soro] e celular [hemácias, leucócitos, plaquetas]).

O organismo etéreo-físico tem sua expressão máxima na região abdominal, nas vísceras. O elemento conector é o fluido mecânico (linfa).

Resumindo, para melhor compreensão do tema exposto, vejamos o quadro sinóptico:


O fluido nervoso (consolidado no líquor) é a expressão do organismo mental no organismo físico.

O fluido prânico (consolidado no sangue) é a expressão do organismo astral no organismo físico.

O fluido mecânico (consolidado na linfa) é a expressão de elementos etéricos no organismo físico.

Depois de demonstrar como no organismo físico, especificamente em suas três regiões, cabeça, tórax e abdome, se expressam e se relacionam no organismo mental, astral e físico, tomemos um dos segmentos, a cabeça, e observemos como nela há representantes dos três organismos. O mesmo pode se fazer com os dois outros segmentos: tórax e abdome.

Observando-se atentamente a cabeça (crânio e face) perceberemos sete orifícios. Estes sete orifícios podemos afirmar, estão praticamente em três planos diferentes e relacionam-se com os três organismos citados.

No primeiro plano, ligeiramente inclinado, denominado superior, encontram-se quatro orifícios. Dois orifícios onde se adaptam os globos oculares (olhos) e dois orifícios onde se adaptam os dois pavilhões auditivos (orelhas). Este plano é relativo ao organismo mental.

Em um segundo plano, por nós denominado de médio, encontra-se dois orifícios. São os orifícios das narinas (nariz). Este plano é relativo ao organismo astral.

No último, o terceiro plano ou inferior, encontra-se um único orifício (boca). É o relativo ao próprio organismo etéreo-físico.

Assim, concluí-se que: o primeiro plano relaciona-se com a visão (cérebro) e audição (cerebelo). O segundo plano liga a cabeça com o tórax, por meio da nasofaringe, laringe, traquéia e finalmente pulmões e coração. O terceiro plano liga a cabeça com o abdome por meio da boca, língua, dentes, faringe, esôfago (que passa pelo tórax), estômago, duodeno, intestino delgado, intestino grosso e ânus.

Implicações várias têm essas citações. Vimos que da boca chega-se ao fim do intestino grosso (reto-ânus). São “entrada” e “saída” que devem controlar os alimentos ingeridos pela boca. Contudo, devemos considerar alimentos também o que entra pelos outros orifícios, tais como: imagens (visão), sons (audição), sensações táteis (tato), ar e sucedâneos, etc., devendo haver excreções correspondentes para cada um.

Assim explicamos, pois queremos relacionar a anatomia e fisiologia do organismo físico com a de ordem sutil, das forças vivas, das energias de ordem astral, com os canais sutis e órgãos ultérrimos”.

Continuando, é de vital importância entender-se que o Princípio Espiritual (imanifesto) ou Essência, ao manifestar-se (existência) fê-lo no Universo Astral, onde, como vimos, havia domínio da Substância, da Energia em seus vários graus de densidade.

Interpenetrando fundamentos e rasgando arcanos, afirmamos que o Ser Espiritual gerou, exsudou a Substância Primeva, sendo a mesma protoforma para a Cosmogênese, onde repisamos, teria domínio a Energia-Matéria.

Recapitulando e aprofundando, visando o melhor entendimento, afirmamos que o Princípio Espiritual Uno (Essência) ao se bipolarizar, separando-se objetivamente (Existência), gerou de moto próprio, devido à sua atribuição criadora (Substância), a Substância Primeva que é indiferenciada, caótica, sem movimentos coordenados.

É a essa Substância Primeva que a Coroa Divina, os Orixás Virginais – Espíritos Virginais de máximo Poder – por intermédio da Potenciação de suas vontades, de seus Poderes Volitivos, propiciaram movimentos ordenados, diferenciado-a imprimindo-lhe um ciclo e ritmo particular.

Esse ciclo e ritmo, na verdade, deu formação à energia bipolarizada. A essa energia bipolarizada denominamos Energia Primeva Positiva e Energia Primeva Negativa.

A energia primeva bipolarizada deflagrou a constituição setenária da matéria no universo astral.

Assim, o Poder Volitivo dos Orixás Virginais, aplicados à Substância Primeva, gerou o Universo Astral. A concretização desse Poder Volitivo pode ser expressa na Cosmogênese, no “Big-Bang”, que gerou três fenômenos que perduram até os nossos dias. A Luz, o Som e o Movimento são as expressões do Poder Volitivo dos Orixás. São o Tantra (Luz), Mantra (Som) e Yantra (Movimento) Cósmicos.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente, Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Positiva (matéria mental abstrata) e energia mental negativa (matéria mental concreta) dão origem, por rebaixamento de sua vibração essencial, à Energia Astral.

A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá formação a quatro energias, totalizando o setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta.

Na dimensão grosseira, densa, é a deflagradora de quatro estados de manifestação ou concretização.

O primeiro estado de manifestação é o eólico (ar), essencialmente expansivo.

O segundo estado de manifestação é o ígneo (fogo), essencialmente radiante.

O terceiro estado de manifestação é o hídrico (água), essencialmente fluente.

O quarto e último estado de manifestação é o telúrico (terra), essencialmente coesivo.

Concluindo, os elementos ar, fogo, água e terra compõem o plano físico denso do planeta, sendo que as Linhas de Forças (energias sutis) os sustentam por meio do Poder Atuante dos Emissários Executores dos Orixás – os Exus (transportadores, distribuidores e mantenedores do Axé ).

Demonstramos como o microcosmo está relacionado com o macrocosmo, como ambos possuem características similares. Reiteramos que, embora o Ser Espiritual possua Sete Veículos Dimensionais de sua consciência, os agrupamos em três Organismos relacionando-os aos Princípios Cosmogenéticos (Luz, Som e Movimento).

Depois das exaustivas demonstrações analógicas sobre a interdependência entre Cosmos, Planeta e Homem, concluímos que o binômio Espírito-corpo é uno, indivisível, sendo assim considerado pela Umbanda em suas diversas Escolas ou segmentos e demais religiões afro-brasileiras.

(1) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Virginais aplicado à substância Primeva conferiu-lhe ciclos e ritmos que se expressaram por meio de: Luz, Som e Movimento Cósmicos.

(2) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Solares aplicados à Substância Solar conferiu-lhe por meio de ciclos e ritmos particulares. Estes se expressam por meio de: equilíbrio, estabilidade e harmonia planetários.

(3) O Poder Operante ou Volitivo dos Orixás Planetários ou “Ancestrais” aplicado à Setessência da Matéria confere-lhe ciclos e ritmos particulares. Sua expressão dá-se por meio dos: Organismo Mental, Organismo Astral e Organismo etéreo-físico.

Esperamos que tenham ficado evidentes as conexões cosmo-planeta-homem que corroboram com o velho adágio: o microcosmo é manifestação do macrocosmo. Igualmente esperamos ter demonstrado que as religiões afro-brasileiras, no tocante aos fenômenos da criação, tenham uma visão diferente, embora respeitosa, das religiões criacionistas (vide publicação 55). Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

OS ORIXÁS - PAIS DIVINOS PRESIDINDO O DESTINO



Os Orixás – Pais Divinos presidindo o Destino

SINCRONISMO ENTRE A COSMOGÊNESE E ANTROPOGÊNESE



RESUMO

No momento da cosmogênese, no Fiat Lux, o Espírito cuja Essência é o Vazio-Uno se manifestou como Luz. A primeira manifestação da Consciência-Una foi como a Luz Branca, que em sua unidade contém todas as outras cores, como no prisma que vemos abaixo. A decomposição da Unidade gerou as Sete Vibrações, manifestação dos Sete Orixás que deu formação a todo o Universo Astral.

O que determina a individualidade de cada Ser Espiritual no universo é sua maior ou menor sintonia com a manifestação setenária da Unidade. Isso significa que cada um consegue absorver, em função da sua evolução espiritual, com maior ou menor pureza e em maior ou menor quantidade, a Luz dos Orixás.

O uso da expressão “Poder Volitivo do Orisha” tem como significado a vontade espiritual manifesta na energia massa; o Orisha como Senhor estruturante de todo o universo, por conseguinte das forças sutis da natureza (ar,fogo, água e terra), do Princípio e Poder de realizar todas as coisas, inclusive o destino-existência (Axé-Iwá-Abá).

Palavras-chave: Antropogênese, Cosmogênese, Luz Espiritual, Organismo Astral, Orixás, Vazio-Uno.

ABSTRACT

At the moment of cosmogenesis, at the Fiat Lux, the Spirit whose essence is the Empty-One manifested itself as Light. The first manifestation of the One-Consciousness was the White Light, which in its unit contains all other colors, as in the prism we can see below. The decomposition of the Unit generated the Seven Vibrations, a manifestation of Seven Orishas that has formed the entire Astral Universe.

What determines the individuality of each Spiritual Being in the universe is their greater or lesser tune with the sevenfold expression of the Unit. This means that each one can absorb, according to their spiritual evolution, with greater or lesser purity and in greater or lesser extent, the Light of the Orishas.

The use of the expression " Volitional Power of the Orisha " means the spiritual will manifested in mass energy; the Orisha as the structuring Lord of the entire universe, likewise the subtle forces of nature (air, fire, water and earth), of the Beginning and the Power to accomplish all things, including the fate-existence (Axe-Iwá-Abá).

Keywords: Anthropogenesis, Cosmogenesis, Spiritual Light, Astral Body, Orishas, empty-One.

OS ORIXÁS – PAIS DIVINOS PRESIDINDO O DESTINO

SINCRONISMO ENTRE A COSMOGÊNESE E ANTROPOGÊNESE

A Luz Espiritual

No momento da cosmogênese, no Fiat Lux, o Espírito cuja Essência é o Vazio-Uno se manifestou como Luz. A primeira manifestação da Consciência-Una foi como a Luz Branca, que em sua unidade contém todas as outras cores, como no prisma que vemos abaixo.

A decomposição da Unidade gerou as Sete Vibrações, manifestação dos Sete Orixás que deu formação a todo o Universo Astral.

Cada um de nós possui como Essência Espiritual o Vazio, mas também nos manifestamos dando forma a veículos da Consciência que conhecemos como Organismo Mental (mente sutilíssima), Organismo Astral (mente sutil) e Organismo Físico (mente densa). O Organismo Mental é pontual, ou seja, corresponde à Unidade, que se manifesta no Organismo Astral através dos Sete centros de iluminação ou chakras que absorvem a vibração de cada um dos Sete Orixás.

O que determina a individualidade de cada Ser Espiritual no universo é sua maior ou menor sintonia com a manifestação setenária da Unidade. Isso significa que cada um consegue absorver, em função da sua evolução espiritual, com maior ou menor pureza e em maior ou menor quantidade, a Luz dos Orixás.

Por analogia, temos que a consciência espiritual de cada um pode ser representada como um "código de barras" que contém faixas de todas as Sete Vibrações, com variações de matizes, de intensidade e de largura de banda. Esse código de barras, determinado pela destinação natural ou karma do indíviduo, coordena a formação dos centros de iluminação ou chakras que governam o Organismo Astral que, por sua vez, serve de molde para o Corpo Físico, regulando suas atividades, funções e mesmo permitindo o aparecimento de disfunções orgânicas ou tendências comportamentais.

A FORMAÇÃO DO ORGANISMO ASTRAL

A Luz Espiritual, em suas sete variações, distribui-se por todo o Cosmos, e cada indivíduo a absorve segundo sua percepção espiritual.

Quando o indivíduo reencarna, é preciso deixar para trás sua antiga personalidade estabelecida em sua forma astral para assumir o início de uma nova etapa. Isso acontece mediante um processo de desdiferenciação em que os Sete centros de iluminação ou chakras (que caracterizavam o corpo astral) tomam a forma de um único centro de iluminação ou chakra indiferenciado que presidirá a formação do novo Organismo Astral. O indivíduo então fica “miniaturizado”, podendo se ligar ao ventre materno.

Chegando ao estágio de um único centro de iluminação indiferenciado, o indivíduo perde a recordação de suas existências anteriores, trazendo de sua antiga personalidade apenas os traços mais marcantes que determinarão suas tendências e aptidões. Se, por um lado, há a perda da personalidade anterior, há a recordação do Vazio, de sua Essência e do início de tudo, relembrando o começo do Universo e da odisséia espiritual.

Durante a gestação, o centro de iluminação indiferenciado absorve as faixas das Sete Vibrações Espirituais conforme seu "código de barras" e se desdobra formando os sete centros de iluminação, um de cada vez, o que governa o processo da embriogênese no plano físico através do código genético, formando o feto com seus órgãos e sistemas.

Os centros de iluminação atuam em todo o corpo, inclusive por meio de centros secundários, mas coordenam principalmente sete glândulas endócrinas, conforme vemos no diagrama abaixo, assim como plexos nervosos que se integram com o sistema imunológico formando um sistema psico-neuroimunoendocrinológico integrado cujo balanço é essencial para a manutenção da saúde. Segundo as predisposições genéticas e o comportamento do individuo, que influencia a expressividade e penetrância dos genes, as doenças ou desequilíbrios orgânicos se manifestam com maior ou menor intensidade.


O Texto e o diagrama ora publicado é um excerto constante em nossa obra literária - O Sacerdote, Mago e Médico – cura e autocura umbandistas, 2002.

O uso da expressão “Poder Volitivo do Orisha” tem como significado a vontade espiritual manifesta na energia massa; o Orisha como Senhor estruturante de todo o universo, por conseguinte das forças sutis da natureza (ar,fogo, água e terra), do Princípio e Poder de realizar todas as coisas, inclusive o destino-existência (Axé-Iwá-Abá).

O diagrama permite a percepção de que a cosmogênese é molde para a planetogênese essa para a antropogênese (biogênese). Em outras palavras a planetogênese imita a cosmogênese, o mesmo acontecendo com a ontogênese (desenvolvimento do feto ao adulto), que imita a filogênese (evolução das espécies).

Não há como refutar que os fundamentos propugnados pela Umbanda, além de metafísica explicam e desenvolvem aspectos científicos esposados pela biologia molecular e outras ciências afins. Por isso quando uns e outros se propuserem a escrever sobre a Umbanda, relacionando-a com a ciência, que o façam com conhecimento de causa e não por “achismo”, pois mais de uma vez, infelizmente para a Umbanda, vimos alguns cientistas criticarem erros primários escritos em algumas obras tidas como umbandistas. Que tristeza para todos nós, que afirmamos ser a Umbanda uma forma espiritualizada e inteligente de bem viver. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

UMBANDIZAÇÃO - UMBANDA PARA TODOS NÓS





Umbandização – Umbanda Para Todos Nós!


Vocábulo cunhado por Roger Bastide que identificava cultos miscigenados pela influência da Umbanda. Era algo que “maculava” a pureza dos cultos, processo de interação, mistura de ideologias, crenças e práticas.

Parece-nos que Bastide queria ou postulava uma “eugenia religiosa”, algo perigoso, contestável, pois num país continental como o Brasil, que tem uma história de formação de seu povo recheada de iniqüidades, sincretismos, violências, amalgamações e hibridismos, culminando num caldeamento que resultou no povo brasileiro, seu sentimento, seu pensamento, seu comportamento, sua cultura, enfim seu ethos. É para pensar...E na atualidade há aqueles que assim pensam!

Sobre isso temos uma visão heterodoxa, pois grassamos que a Umbandização permite a pluralidade de crenças e cultos e mais, promove a prioridade entre os mesmos, neutralizando dicotomias, sem, todavia coibir a livre manifestação deste ou daquele segmento das religiões afro-brasileiras.

Em nossa visão é um avanço no respeito às diferenças, e adaptação filosófica-religiosa, de crenças à diversidade do povo brasileiro.

Temos as matrizes formadoras, caldeadas e conectadas sem litígio ou conflito devido à Umbandização, ou seja, os cultos foram buscar na Umbanda seu ponto de equilíbrio, estabilidade e maximização de suas missões.

Bendita Umbandização que não discrimina o plural, ao contrário privilegia o diverso, o todo, essencialmente pela inclusão total.

É por este e demais motivos, principalmente os da missão da Umbanda, que cultuamos várias religiões afro-brasileiras.

Primeiro por termos passado por elas, e conhecido seus fundamentos. Segundo, pois somos sincrônicos com a Umbandização, que acreditamos pode unir (não uniformizar ou codificar) todo o povo das religiões afro-brasileiras, podendo esse povo estar em condições de igualdade nas 5 vertentes principais por nós defendidas: Espiritual, Cultural, Social, Político e Econômico.

Não querer a harmonia ou união das religiões afro-brasileiras, não aceitando o fenômeno da Umbandização, é desejar enfraquecer nosso povo, mantendo-o distanciado do centro de decisão da sociedade brasileira, principalmente mantendo-o na periferia cultural, social, política e econômica. Desejam sim afastar as religiões afro-brasileiras da Umbanda (negando o aspecto democrático da umbandização), pois fica-lhes mais fácil assumir uma posição que desejariam e seriam refutados pelas religiões afro-brasileiras; os que assim desejam querem afastar-se das religiões afro-brasileiras, onde indissoluvelmente a Umbanda está inserida, pois querem uma Umbanda codificada segundo suas visões autoritárias, arbitrárias e fundamentalistas. Tudo bem, afastem-se das religiões afro-brasileiras, inclusive da própria Umbanda, pois o que promovem, propugnam, escrevem e falam é uma seita, não é mais Umbanda, não é mais nenhum setor ou Escola umbandista , pois se fosse, saberiam que o todo nunca pode ser representado por uma parte apenas, seja ela qual for.

Façam suas seitas, que nós respeitamos, mas respeitem a Umbanda e aqueles que estão interessados na sua unidade.


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de cura


(Espiritualidade e Ciência)

OS VÁRIOS NÍVEIS DE MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA




Os vários níveis de manifestação da doença

RESUMO
A manifestação da doença será por nós enfocada em quatro fases. A primeira fase inicia-se no imo do indivíduo (“consciência”), a segunda alcança o campo das idéias, dos pensamentos, da vontade. A terceira fase alcança o campo das emoções, afetivo ou psíquico. O último estágio é o das reações orgânicas francas aos agravos de ordem mental, emotiva, psicológica e comportamental.

Na dependência da conduta e do entendimento precoce das mudanças de hábitos comportamentais do indivíduo, o mesmo pode restaurar sua saúde, a homeostasia, que é a base discursiva e principalmente prática da Medicina Umbandista ou das religiões afro-brasileiras.

O axioma básico, em verdade, é que todo indivíduo pode prevenir doenças, tudo na dependência de seu comportamento (pensamento, sentimentos e ações) que, se favorável, o predispõe aos ciclos e ritmos harmoniosos da Roda da Vida regidos pelos Orixás.

Palavras-chave: Auto-cura, Doença, Homeostasia, Medicina das Religiões Afro-brasileiras, Mente.

ABSTRACT

We will focus in four stages of the disease’s manifestation. The first phase begins at the individual imo ("conscience"), the second one reaches the realm of ideas, of thoughts and will. The third stage reaches the field of emotions, affective or psychic. The last stage is that of organic reactions to the mental, emotional, psychological and behavioral orders grievance.

Depending on the conduct and the understanding of the early behavioral changes of the individual’s habits, one can restore his own health, homeostasis, which is the discursive and mainly practical basis of umbandist or african-brazilian religions’ medicine.

The basic axiom, in fact, is that every individual can prevent illness, all depending on their behavior (thoughts, feelings and actions) which, if favorable, predisposes to the harmonious rhythms and cycles of the Wheel of Life governed by Orisha.

Keywords: Self-Healing, Disease, Homeostasis, African-Brazilian Religions’ Medicine, Mind

OS VÁRIOS NÍVEIS DE MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA

A manifestação da doença será por nós enfocada em quatro fases.

A primeira fase inicia-se no imo do indivíduo (“consciência”), podendo ou não ser por ele mesmo neutralizada, ou pela efetiva e segura atuação do terapeuta, seja ele sacerdote, curandeiro ou médico.

O esquema abaixo explicita o que expusemos.

PRIMEIRA FASE

SEGUNDA FASE

Alcança o campo das idéias, dos pensamentos, da vontade.

Se for autolimitante, produz doenças psíquicas ou distúrbios psiquiátricos de maior ou menor intensidade.

Pode como processo reacional fazer o doente adoecer como um todo, em determinado sistema ou manifestando-se em determinado órgão-alvo.

TERCEIRA FASE

Alcança o campo das emoções, afetivo ou psíquico.

Se for autolimitante, produz doenças sistêmicas raras, sem grande comprometimento à economia orgânica, mas desestabiliza completamente o indivíduo e, se este não for tratado de modo eficiente, poderão ser desencadeadas profundas alterações no psiquismo, no emocional, com repercussão nas glândulas endócrinas, sistema cardiovascular, respiratório, hematológico, digestório e renal.

QUARTA FASE

O último estágio é o das reações orgânicas francas aos agravos de ordem mental, emotiva, psicológica e comportamental.

No término destas explicações, com as quais esperamos ter introduzido as distorções conscienciais, manifestações na roda da vida (movimento dos elementos) é importante uma vez mais salientar que na dependência da conduta e do entendimento precoce das mudanças de hábitos comportamentais do indivíduo, o mesmo pode restaurar sua saúde, a homeostasia, que é a base discursiva e principalmente prática da Medicina Umbandista ou das religiões afro-brasileiras.

O axioma básico, em verdade, é que todo indivíduo pode prevenir doenças, tudo na dependência de seu comportamento (pensamento, sentimentos e ações) que, se favorável, o predispõe aos ciclos e ritmos harmoniosos da Roda da Vida regidos pelos Orixás.

Antes de explicarmos outros conceitos atinentes à Umbanda e sua Medicina Integrativa ilustremos com outros enfoques, com os quais esperamos consolidar nossa demonstração.

O Médico, o Mago ou o Sacerdote, na dependência de quem o indivíduo procurar, precisam conscientizar o paciente ou sofredor (explicar de acordo com o grau de consciência do paciente) sobre a necessidade de serenamente alterar seu comportamento em relação a si mesmo, aos outros e ao meio como forma de curar-se, autocurar-se, eliminando as doenças mas antes, porém, deixando de ser doente.

Os responsáveis pelo auxílio aos pacientes devem conscientizar-se de que precisam estar preparados para auxiliar e não prejudicar.

Assim podemos dizer que há:

1. Doenças Antropogênicas: despreparo do indivíduo para a vida. A maior causa das doenças é o próprio homem com suas condutas anacrônicas.

2. Doenças Iatrogênicas: despreparo médico-acadêmico em relação à verdadeira causa das doenças, pois na maioria das vezes, mesmo acreditando que se esta atuando nas causas está atuando apenas em efeitos mimetizando causas.


Tudo ocorre como se a doença estivesse circunscrita, envolvida em vários círculos concêntricos.

Os sinais e sintomas significam que a mesma manifesta-se nos níveis externos. Portanto, apenas suprimi-los pode apenas impedir sua história natural ou mesmo “curar” camadas externas (que são manifestações dela e não ela própria), o que, com certeza, fará recidivar ou agravar a enfermidade.

Depois destas conclusões podemos afirmar que a Iatrogênia não é apenas a medicação inexata prescrita ou devido ao despreparo médico-acadêmico, mas sim a própria conduta não condizente, não humanitarista do médico, algo também já discutido.

Atentemos para um exemplo clássico:

As infecções que são tratadas com antibióticos – e muitas delas obrigatoriamente terão de ser – os mesmos podem atuar segundo o modelo do diagrama a seguir.

Este é o motivo aludido pela Medicina Integrativa da recidiva ou recrudescimento das moléstias infecciosas. O mesmo pode-se afirmar quando o arsenal terapêutico torna-se ineficaz no combate ao processo infeccioso (refratário), levando o paciente ao óbito.

Uma das mais intrigantes moléstias é a Hipertermia Maligna, que é uma afecção hereditária e latente caracterizada por resposta hipermetabólica aos anestésicos voláteis – Halotano, Isoflurano, Sevoflurano, Desflurano e a injetável Succinilcolina.

Como dissemos do código genético, sua expressividade e penetrância, esta alteração genética só se manifesta durante a anestesia.

O quadro clínico, sua expressão é variável, ela surge a qualquer momento durante a anestesia e até três horas após a exposição ao agente desencadeante (Rosemberg, 1990).

A frequência cardíaca do paciente fica alterada, podendo provocar arritmias mais ou menos graves (extra-sístoles ventriculares); a temperatura sobe e a musculatura se contrai com intensidade, o sangue se coagula e o rim fica obstruído.

O tratamento consta em administrar dantrolene sódico intravenoso com manitol, diluídos em água destilada (estéril) e hiperventilação com O2 puro. Tratar as arritmias, a acidose metabólica a hiperpotassemia, mantendo a volemia e a diurese.

Embora a incidência seja 1/10.000 anestesias em adultos e 1/50.000 em crianças, a cifra é bem expressiva, considerando-se que só no estado de São Paulo são realizadas mais de 10.000 anestesias diariamente (fonte: Prof. José Luiz Gomes do Amaral).

Esta enfermidade, do ponto de vista espiritual, demonstra que o “organismo astral” deve ser atingido de alguma forma segundo os fatores imunogenéticos (devido a um desequilíbrio total do elemento fogo) apresentando esse exuberante quadro clínico que em 10% dos casos, mesmo com o Dantrolene Sódico, resulta em óbito. São enigmas que o tempo e a evolução do homem e de sua ciência resolverão... Como nos diz o astral: “aguardemos trabalhando”... Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

CONVERGÊNCIA FILOSÓFICA RELIGIOSA





Convergência Filosófica Religiosa


O mundo contemporâneo tem como estandarte o culto ao individualismo, a apologia do ego, que sustenta a pluralidade de opiniões como se a mesma fosse sinal de liberdade de expressão. A grande diversidade de filosofias, ciências, artes e religiões, de uma certa forma, é também conseqüência desse processo de isolamento em busca da individuação onde, cada vez mais, tornamo-nos distantes uns dos outros ressaltando as diferenças e olvidando as semelhanças.

O processo de Convergência para a Paz Mundial procura não apenas a convivência pacífica, mas principalmente a busca da origem comum de todos, da Ciência do Ser, até alcançarmos a identificação total entre todos.

Apesar de todas as diferenças existentes entre as pessoas, na verdade, temos muito mais em comum do que julgamos. A causa disso é que perdemos o conhecimento da Ciência do Ser, da manifestação do princípio divino em todo o universo, inclusive nos homens. Vivemos na diversidade por estarmos fragmentados em nossa consciência, distantes de nossa origem que é também nosso destino final.

A Tradição de Síntese-Umbanda contém em si os princípios que regem toda a criação, seja no nível macrocósmico ou no microcósmico. Tudo o que existe obedece às Leis de formação do Universo e o fato de não compreendermos as mesmas não impede que continuem atuando tanto em nós, indivíduos, como em toda a energia-massa do universo.

Devido à fragmentação do homem, essa Tradição de Síntese dividiu-se em compreensão do que é abstrato e do que é concreto, em número e fenômeno. As leis que regulam os fenômenos tornaram-se objeto de estudo da Ciência no geral, e também da Arte. Quer dizer, toda e qualquer forma de manifestação em energia-massa obedece a leis científicas, compreender a harmonia das formas faz parte da Arte.

Por outro lado, o estudo das causas abstratas que incidem sobre a matéria gerando os fenômenos não pode ser simplesmente apreendida pela ciência concreta, é preciso estar de posse dos instrumentos da Ciência do Espírito para compreender os números, as idéias que antecedem a forma. Isso tudo faz parte do campo de atuação da Religião e Filosofia.

Infelizmente, após perdermos a Tradição de Síntese, acabamos por perder também a Filosofia, a Ciência, a Arte e a Religião integrais e primevas. Como conseqüência passou existir a fragmentação também nesses campos, surgindo várias filosofias, religiões, etc, muitas vezes opostas entre si.

Para exemplificar, vemos que as religiões são formas particulares e parciais de ver o Sagrado que todas buscam. Fica claro que quanto mais nos aproximamos da convergência, menos observações parciais, regionais ou sectárias existirão, predominando a universalidade sobre a individualidade.

O processo de Convergência faz parte do reencontro do Homem consigo mesmo. Não quer dizer apenas convivência pacífica, embora este seja talvez o primeiro passo. Temos que nos dirigir para os princípios, para a origem de tudo e vermos o Todo como Uno.


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar"


VOCÊ PRECISA APRENDER






VOCÊ PRECISA APRENDER

NÃO CONDENES A FALTA!

COMPREENDE OS MOTIVOS DE QUEM ERROU E AJUDA-O A ACERTAR.

NÃO APONTES AS FALHAS DO PRÓXIMO!

EXAMINA-TE PRIMEIRO, E CONSIDERA COMO É PENOSA A CORREÇÃO.

NÃO DESDENHES A LUTA DE TEU IRMÃO!

SE JÁ VENCESTE A TUA, RECORDA COMO FOI DIFICIL VENCÊ-LA.

NÃO SUSTENTES O DESÂNIMO E A TRISTEZA ONDE QUER QUE OS ENCONTRES!

AJUDA A DISSIPÁLOS COM A LUZ DE TUA ALEGRIA.

CORRIGE, AMANDO....

AMPARA, SORRINDO....

RESTAURA, COM CARINHO...

ILUMINA, RENOVANDO.

ESTE É O ROTEIRO!

SE O SEGUIRES, ENCONTRARÁS A LUZ IMPERECÍVEL QUE TE ACOMPANHARÁ,

NÃO APENAS HOJE E AMANHÃ, MAS PELO INFINITO DOS TEMPOS!