BLOG - UMBANDA PARA O MUNDO

Blog voltado às informações e conceitos da Umbanda Blog criado para divulgação de tudo que diz respeito à Umbanda e aos umbandistas, crenças e cultos afins, no Brasil e no mundo.

 

 

 

Reflexões sobre a diversidade cultural-religiosa afro-brasileira


Hoje gostaríamos de apresentar algumas reflexões sobre a diversidade cultural-religiosa de nosso país. Vários foram os estudiosos que registraram as matrizes formadoras do povo brasileiro, um deles foi Darcy Ribeiro que sistematizou as contribuições culturais-religiosas dos ameríndios, africanos e indo-europeus.
Atualmente é corrente na academia a terminologia “matriz formadora” e gostaríamos de refletir sobre ela. Matriz é uma palavra que significa origem, fonte e a palavra formadora aquilo que dá corpo, estrutura, que constitui, assim, os indígenas autóctones, os negros que chegaram ao país escravizados e os indo-europeus na condição de colonizadores são povos que, com sua bagagem cultural, social, religiosa, estruturaram o que posteriormente veio a ser chamado povo brasileiro ou apenas o brasileiro.
Felizmente as religiões afro-brasileiras foram igualmente formadas pelas três matrizes fazendo com que elas tenham em seu bojo a diversidade de formas de viver e cultuar a religiosidade. Não vemos esse caldeamento como algo negativo, muito ao contrário, a grande riqueza das religiões afro-brasileiras é sua diversidade, o “colorido religioso”, a ampla gama de contribuições.
Infelizmente, muitos pensam que a diversidade é um elemento que dificulta a criação de uma identidade religiosa, mas nossa visão é justamente oposta. A diversidade é um dos elementos fundantes das religiões afro-brasileiras. O cientista social ou mesmo adeptos de outras confessionalidades, sentem dificuldades em ir a um determinado terreiro e não saber ao certo qual a linha praticada. Isso porque, ainda que cada Escola Afro-brasileira tenha sua cosmovisão e liturgia específica elas comungam de elementos tais como o transe, a dança, cânticos, crença nas entidades sobrenaturais, entre outras.
Outro dado que dificulta a real compreensão do universo religioso é a mídia, a qual sempre que pode, apresenta em seus programas de informação ou entretenimento mensagens subliminares ou de descrédito e gozação.
O trabalho de todos os militantes afro-brasileiros sejam eles sacerdotes e sacerdotisas ou adeptos é no terreiro com seus Orixás, ancestrais, encantados para que essa vivência possa sair das quatro paredes templárias e ser incorporada na vida cotidiana. É um processo interno, de vivência iniciática e também externa de estilo de vida.
Agradecemos por fazer parte da diversidade cultural-religiosa afro-brasileira que, em última instância, é vivenciar a diversidade humana brasileira!
Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Blog - Espiritualidade e Ciência

 


 

 

Tradição, Linhagem e Ética nas Religiões Afro-brasileiras


Dedicamos nossa última publicação às questões da ética nas religiões afro-brasileiras. Gostaríamos de prosseguir este assunto com novas reflexões que esperamos possam contribuir com todos.
A ética pode ser abordada em vários setores e a religião é apenas mais um desses. Consideramos, porém, que a ética nas religiões afro-brasileiras difere um pouco das demais religiões. Não é melhor, mas diferente.
Chegamos a este argumento pelos anos de vivência no universo afro-brasileiro e perceber nele um senso de pertença e de comunidade pouco encontrado nas religiões de grande números de adeptos. Nestas (catolicismo, protestantismo, entre outras), os adeptos vão aos rituais, comungam dos mesmos hábitos religiosos mas acabam, na maioria das vezes, dividindo seu modo de vida com os familiares consanguíneos. A relação com a comunidade religiosa é mais dissolvida.
Nas religiões afro-brasileiras, que se originaram de três matrizes (ameríndia, africana e indo-europeia), talvez por séculos de enfrentamento, perseguições e pelo fato histórico de subjugação principalmente dos indígenas e negros escravizados, as religiões vinculadas a estas matrizes apresentam forte vínculo entre seus adeptos.
O terreiro, templo, choupana, choça, roça e tantas outras denominações das casas de santo das religiões afro-brasileiras configuram-se como um santuário de laços espirituais, os quais são possibilitados pelo sacerdote/sacerdotisa (pai/mãe de santo). Aqui retomamos a questão da linhagem/raiz como um dos elementos fundamentais para a constituição de uma Escola religiosa Afro-brasileira. O conhecimento do santo é “obtido” via oralidade e vivências com o (a) dirigente espiritual e os irmãos de santo. O conhecimento não é imbutido na cabeça dos iniciantes, antes, todos constroem o conhecimento coletivamente, em uma teia de relações espirituais.
A liderança religiosa exerce um papel de suma importância coordenando mentes e corações que certamente vibram em sintonias diferentes. Mas o segredo é justamente esse, fomentar o equilíbrio entre as pessoas de modo que as competências individuais sejam ressaltadas e colocadas em prol do Todo, da comunidade. A teoria da gestalt, por nós utilizada em outros textos, é aqui retomada. Os sacerdotes e sacerdotisas procuram sempre pensar a agir pelo Todo, pela comunidade e não pelas individualidades. É uma ética simples, porém complexa, na medida em que os seres humanos estão cada vez mais individualistas e egoístas. Pais e mães espirituais labutam diuturnamente contra a maré da sociedade planetária...mas não desistem!
Assim, o senso de pertença da comunidade é muito forte e auxilia a compreensão da identidade das religiões afro-brasileiras. Sua ética é pautada, portanto, na interdependência.
Aproveitando o ensejo finalizamos com alguns versos do saudoso poeta João Cabral de Melo Neto, cuja sensibilidade foi capaz de sintetizar em um poema a ética religiosa afro-brasileira, sem dar-se conta disso:
“Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos (...)
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos”
Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

 http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2012/05/tradicao-linhagem-e-etica-nas-religioes.html

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

 O MUNDO PODE TER SURGIDO DO NADA?


Tudo que esta no universo é plausível de ser explicado, tem uma causa. Sim, tudo que está no universo pode ser explicado, mas e o universo pode ser explicado? Qual a causa que deflagrou o universo?
Uma outra interrogação, talvez a mais essencial, é necessária: tudo que  existe tem uma causa? Se o universo existe, e parece que sim, deve ter uma causa! Satisfeitas as argumentações ou declarações de que o universo existe, qual sua causa?
Antes da resposta devemos lembrar que antes do universo, segundo a ciência, e isto também parece óbvio, não havia NADA, ou seja, não havia algo causado, (efeito), pois o nada não pode ser causa de alguma coisa, ou pode?
Robustecendo o quadro de questionamento, antes do surgimento do universo não havia aquilo que conhecemos como espaço/tempo, ou seja, não havia finitude, dimensionalidade, transitoriedade, mas havia o que? Nada do que conhecemos como as quatro dimensões (ou mais?): largura, comprimento, profundidade e tempo. Mas se não há a finitude e nem tempo, pode-se pensar na infinitude e na eternidade? Será que podemos pensar ou melhor imaginar naquilo que não conhecemos e nem temos condições de conhecer empiricamente? Vejamos!
O universo existe e antes dele nada existia, certo? Estaremos afirmando que ele existiu a partir do nada?  O nada pode ter causado o universo? Se o nada causou o universo ele pode causar outras coisas, mas ele tem causado outras coisas? Se a resposta for não, devemos pensar, ou melhor, procurar a resposta na Teologia, que além de crença, fé, rituais é também senso crítico.
Disse é também, mas com certeza não responderá se não estivermos “fundamentados” na crença da religião.
Na obra de nossa autoria Cura e Auto cura nas Religiões afro-brasileiras, comentamos a Cosmologia (criação) por intermédio de vários mitos que podem por meio de sua dimensão complementar a do logos, afirmar que o universo surgiu (cosmogênese) há 13,7 bilhões de anos, tal  qual afirma a astrofísica.
Observem que corroboramos com a ciência acadêmica, mesmo porque não podemos regredir a eventos passados infinitos (quando?!), ou seja, os eventos passados são finitos e, precisam ter um começo.
Assim justificamos, pois como pode ter eventos passados infinitos?  Simplesmente não podem, pois na eternidade não há espaço nem tempo, logo não há passado, presente e futuro. A eternidade não pode ter início (inicio do tempo que não existe) logo não pode ter fim, por isso que é eternidade.
Mas afinal, como surgiu o universo? Qual a sua causa primeva? O universo surgiu de acordo com o modelo do Big Bang.
As religiões afro-brasileiras explicam (algumas delas) que o Poder Volitivo dois Orishás, deu origem a “Pré-Energia” denominada Substância/Energia Escura, que ao condensar-se em um só ponto (Unidade Cosmológica inicial) deu origem a realidade finita do universo (espaço, tempo). Sim o Big Bang foi deflagrado a partir do “ovo primordial”. Com isto podemos afirmar que o universo obedece leis da termodinâmica (vide vídeo aula – Cosmologia – 2010), ou seja o universo já foi do tamanho de um ponto e ainda esta em expansão.
Aos cientistas que não desdenham das religiões e os que desdenham, sejam ou não cientistas, temos uma explicação oferecida pelas religiões afro-brasileiras, sobre a precedência dos Orishas (enviados do Deus Supremo) na cosmogênese, sendo, pois, segundo nossos fundamentos, os Senhores do Universo e de toda a criação. Axé!


http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html



RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

VALORIZAÇÃO DA TRADIÇÃO SACERDOTAL
                            

A constante da Tradição Espiritual que carregamos por dentro das religiões afro-brasileiras/americanas é uma unidade aberta em construção ou que permite releituras, repaginações ou ser reinterpretada.
Nessa esteira nos aconselham os Ancestrais Ilustres (guias espirituais) que nos assistem que não é possível ler as obras que nos orientaram a escrita há mais de duas décadas, como se fosse uma mensagem única e fixa. Ela deve constantemente passar por releituras, repaginações e reinterpretações. Assim como todas as demais obras...
Isto é muito salutar no atual momento das religiões afro-brasileiras que têm buscado o respeito incondicional com as diferenças, com a diversidade. Há várias religiões afro-brasileiras que no passado tinham conceitos, inclusive sobre entidades espirituais, completamente antagônicos e hoje estão revendo tais conceitos.
Se na atualidade trabalhamos com o diálogo gestáltico é importante que se saliente o conceito de Escola, não como uma instituição de ensino formal, mas como uma forma de interpretar, identificar e praticar o Sagrado por dentro das religiões afro-brasileiras, conhecimento vivencial que só pode ser adquirido na prática de pai para filho espiritual. Não há, portanto, cursos iniciáticos que possibilitem isso.
Estes conceitos estão sendo por nós propugnados, falados e acima disto vivenciados desde o ano 2000, por isso, temos em nosso templo vários tipos de toques ou rituais que atendem ao escopo citado e como forma de união e renovação das práticas religiosas afro-brasileiras onde a competição do passado está sendo cambiada por cooperação e respeito incondicional à diversidade.
Foi com o mote da Tradição ser passada de pai para filho, na vivência do terreiro e valorizando o sacerdócio que criamos o primeiro e segundo Congresso Internacional de Sacerdotes e Sacerdotisas das Religiões afro-brasileiras/americanas. E deles surgiu o Fórum Internacional Permanente do respeito à diversidade das religiões afro-brasileiras/americanas que conta com a participação espontânea, em vídeo, na internet, de mais de 200 sacerdotes e sacerdotisas que esperamos sejam mais de 500 até o III Congresso datado para 27 de outubro de 2012.
Reafirmando esta proposta publicamos texto: Unidade das religiões afro-brasileiras/americanas manifestada na diversidade de rituais.
A UNIDADE DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS/AMERICANAS MANIFESTADA NA DIVERSIDADE DE RITUAIS
Um dos processos que contribuem para a Paz Mundial conforme aprendemos na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino (Templo de Fundamentos), implica na reunião de todos os povos em torno de um conhecimento não fragmentário da Realidade, que compreende as realidades espiritual e material como uma só, sendo esta última a manifestação da primeira.
Sabemos que o conhecimento humano foi setorizado em quatro formas de se observar a realidade, a saber, a filosofia, a arte, a ciência e a religião. Percebemos que, embora os méritos de desenvolvimento desses quatro ramos do conhecimento sejam diferentes, seus objetos de estudo são o mesmo, qual seja a Realidade em seus aspectos concretos ou abstratos. Considerando que o homem contém em si tanto as realidades concretas como as abstratas, sendo ele o microcosmo que representa o macrocosmo. Em última análise podemos dizer que o objeto de estudo dos quatro pilares do conhecimento é o próprio homem e sua identidade com o cosmo.
O papel de nosso Templo de Fundamento, desde sua manifestação no plano Terra em 1970, assim como outros templos, é colaborar para a reversão do processo de fragmentação que ocasiona os conflitos internos (dilemas existenciais de cada indivíduo) e os conflitos externos ou sociais (guerras, desigualdades sociais e injustiças).
Em obediências às Confrarias Espirituais, nossa Casa de Fundamentos estabeleceu mais um marco dentro do processo de respeito incondicional às diferenças quando no dia 28 de julho de 2000 anunciou que, a partir de então, haveria vários ritos públicos. Esses toques ou ritos abrangem uma gama ampla de entendimento do Sagrado ou ângulos de interpretação, fazendo a reunião de praticamente todos os setores ou Escolas dentro das religiões afro-brasileiras.
Para demonstrar nossa proposição, basta observarmos os vários ritos desenvolvidos quinzenalmente, conforme o esquema abaixo:
Toque de Encantados (contato com os encantados ou encantarias várias promovendo a união com a pajelança, jurema, terecô, tambor de mina e outros)
Toque de Umbanda Traçada (influências evidentemente ameríndias e africanas, promovendo a união com os praticantes do culto omolocô, do candomblé de caboclo e todos os demais que fazem essas ligações)
Toque da Kimbanda (fortes vínculos com os exus que carregam toda a valência de sua função de ser elo de comunicação e transportador do axé)
Toque de Umbanda Mítica – Mista (influências regionais com a presença das entidades que se manifestam como caboclinhos, meninas das águas, marinheiros, boiadeiros, etc, fazendo o entrelaçamento étnico e dos sincretismos que surgiram dentro da Umbanda.
Toque de Umbanda Esotérica (aspectos iniciáticos da umbanda preconizados por Matta e Silva e sua linhagem)
Como podemos observar nos vários toques ou rituais existe uma ampla integração entre todas as Escolas ou setores das religiões afro-brasileiras, algo pioneiro e que promove o respeito incondicional às diferenças rituais, à diversidade. Isso só é possível pelo conhecimento que vivenciamos na prática sobre todos esses setores, nunca desdenhando de nenhum deles. Os vários ritos representam, exclusivamente, uma integração da visão regionalista sendo que todos são igualmente importantes e tem suas funções precípuas dentro da coletividade terrena.
Na maior parte dos templos, já existe uma compreensão mais ampla dos pontos em comum entre todos os setores das religiões afro-brasileiras. Nossa Casa de Fundamentos é capaz de realizar esta interação devido ao seu aprofundamento e visão aberta sobre as religiões afro-brasileiras.
Essa postura de vanguarda, que dividimos com todas as Escolas, permite a inclusão total e o respeito a todas as manifestações das religiões afro-brasileiras. Está claro agora que somente com esta compreensão aberta do Sagrado, desenvolvida por nós ao longo dos anos, é possível a integração com todos os setores. Axé!

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

VALORIZAÇÃO DA TRADIÇÃO SACERDOTAL
                            

A constante da Tradição Espiritual que carregamos por dentro das religiões afro-brasileiras/americanas é uma unidade aberta em construção ou que permite releituras, repaginações ou ser reinterpretada.
Nessa esteira nos aconselham os Ancestrais Ilustres (guias espirituais) que nos assistem que não é possível ler as obras que nos orientaram a escrita há mais de duas décadas, como se fosse uma mensagem única e fixa. Ela deve constantemente passar por releituras, repaginações e reinterpretações. Assim como todas as demais obras...
Isto é muito salutar no atual momento das religiões afro-brasileiras que têm buscado o respeito incondicional com as diferenças, com a diversidade. Há várias religiões afro-brasileiras que no passado tinham conceitos, inclusive sobre entidades espirituais, completamente antagônicos e hoje estão revendo tais conceitos.
Se na atualidade trabalhamos com o diálogo gestáltico é importante que se saliente o conceito de Escola, não como uma instituição de ensino formal, mas como uma forma de interpretar, identificar e praticar o Sagrado por dentro das religiões afro-brasileiras, conhecimento vivencial que só pode ser adquirido na prática de pai para filho espiritual. Não há, portanto, cursos iniciáticos que possibilitem isso.
Estes conceitos estão sendo por nós propugnados, falados e acima disto vivenciados desde o ano 2000, por isso, temos em nosso templo vários tipos de toques ou rituais que atendem ao escopo citado e como forma de união e renovação das práticas religiosas afro-brasileiras onde a competição do passado está sendo cambiada por cooperação e respeito incondicional à diversidade.
Foi com o mote da Tradição ser passada de pai para filho, na vivência do terreiro e valorizando o sacerdócio que criamos o primeiro e segundo Congresso Internacional de Sacerdotes e Sacerdotisas das Religiões afro-brasileiras/americanas. E deles surgiu o Fórum Internacional Permanente do respeito à diversidade das religiões afro-brasileiras/americanas que conta com a participação espontânea, em vídeo, na internet, de mais de 200 sacerdotes e sacerdotisas que esperamos sejam mais de 500 até o III Congresso datado para 27 de outubro de 2012.
Reafirmando esta proposta publicamos texto: Unidade das religiões afro-brasileiras/americanas manifestada na diversidade de rituais.
A UNIDADE DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS/AMERICANAS MANIFESTADA NA DIVERSIDADE DE RITUAIS
Um dos processos que contribuem para a Paz Mundial conforme aprendemos na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino (Templo de Fundamentos), implica na reunião de todos os povos em torno de um conhecimento não fragmentário da Realidade, que compreende as realidades espiritual e material como uma só, sendo esta última a manifestação da primeira.
Sabemos que o conhecimento humano foi setorizado em quatro formas de se observar a realidade, a saber, a filosofia, a arte, a ciência e a religião. Percebemos que, embora os méritos de desenvolvimento desses quatro ramos do conhecimento sejam diferentes, seus objetos de estudo são o mesmo, qual seja a Realidade em seus aspectos concretos ou abstratos. Considerando que o homem contém em si tanto as realidades concretas como as abstratas, sendo ele o microcosmo que representa o macrocosmo. Em última análise podemos dizer que o objeto de estudo dos quatro pilares do conhecimento é o próprio homem e sua identidade com o cosmo.
O papel de nosso Templo de Fundamento, desde sua manifestação no plano Terra em 1970, assim como outros templos, é colaborar para a reversão do processo de fragmentação que ocasiona os conflitos internos (dilemas existenciais de cada indivíduo) e os conflitos externos ou sociais (guerras, desigualdades sociais e injustiças).
Em obediências às Confrarias Espirituais, nossa Casa de Fundamentos estabeleceu mais um marco dentro do processo de respeito incondicional às diferenças quando no dia 28 de julho de 2000 anunciou que, a partir de então, haveria vários ritos públicos. Esses toques ou ritos abrangem uma gama ampla de entendimento do Sagrado ou ângulos de interpretação, fazendo a reunião de praticamente todos os setores ou Escolas dentro das religiões afro-brasileiras.
Para demonstrar nossa proposição, basta observarmos os vários ritos desenvolvidos quinzenalmente, conforme o esquema abaixo:
Toque de Encantados (contato com os encantados ou encantarias várias promovendo a união com a pajelança, jurema, terecô, tambor de mina e outros)
Toque de Umbanda Traçada (influências evidentemente ameríndias e africanas, promovendo a união com os praticantes do culto omolocô, do candomblé de caboclo e todos os demais que fazem essas ligações)
Toque da Kimbanda (fortes vínculos com os exus que carregam toda a valência de sua função de ser elo de comunicação e transportador do axé)
Toque de Umbanda Mítica – Mista (influências regionais com a presença das entidades que se manifestam como caboclinhos, meninas das águas, marinheiros, boiadeiros, etc, fazendo o entrelaçamento étnico e dos sincretismos que surgiram dentro da Umbanda.
Toque de Umbanda Esotérica (aspectos iniciáticos da umbanda preconizados por Matta e Silva e sua linhagem)
Como podemos observar nos vários toques ou rituais existe uma ampla integração entre todas as Escolas ou setores das religiões afro-brasileiras, algo pioneiro e que promove o respeito incondicional às diferenças rituais, à diversidade. Isso só é possível pelo conhecimento que vivenciamos na prática sobre todos esses setores, nunca desdenhando de nenhum deles. Os vários ritos representam, exclusivamente, uma integração da visão regionalista sendo que todos são igualmente importantes e tem suas funções precípuas dentro da coletividade terrena.
Na maior parte dos templos, já existe uma compreensão mais ampla dos pontos em comum entre todos os setores das religiões afro-brasileiras. Nossa Casa de Fundamentos é capaz de realizar esta interação devido ao seu aprofundamento e visão aberta sobre as religiões afro-brasileiras.
Essa postura de vanguarda, que dividimos com todas as Escolas, permite a inclusão total e o respeito a todas as manifestações das religiões afro-brasileiras. Está claro agora que somente com esta compreensão aberta do Sagrado, desenvolvida por nós ao longo dos anos, é possível a integração com todos os setores. Axé!



A DIVERSIDADE IMUNIZA CONTRA O DISCURSO HEGEMÔNICO



A diversidade imuniza contra o discurso hegemônico

A pluralidade cultural caracteriza a contemporaneidade sendo um desafio a ser enfrentado pelas diversas teologias. Qual desafio?

O desafio seria devido a uma visão preocupada em captar as particularidades e as diversidades do real? Seria ao respeito à diferença do outro – a alteridade?

Talvez consista no imbricamento das possíveis causas aventadas e seus desdobramentos.

Apesar de remeter várias vezes à pluralidade, a diversidade, a particularidade, seriam elas realmente aceitas e vivenciadas? Acredito que não. Por quê?

Porque todas as religiões e suas teologias desejam ser hegemônicas, homogêneas, logo, universalistas. E como tal cada uma deseja e espera representar as demais.

O que não podemos olvidar é que há quem deseja possuir acesso ao privilégio do universal, mas não é possível ter o universal, isto seria monopolizá-lo.

Pierre Bourdieu afirmou claramente: “O homem oficial é um ventríloquo que fala em nome do Estado: assume uma postura oficial – com todo o teatro do oficial – fala para e se coloca no lugar do grupo ao qual se dirige, fala para e se coloca no lugar de todos, fala como representante universal”.

Consequentemente pode-se concluir a consonância com as religiões afro-brasileiras que defendem a diversidade, pois a mesma realça a particularidade de cada “terreiro”, torna-os legítimos, imuniza-os da homogenia e hegemonia promovida pela universalidade.

Pelo aventado parece evidente que os “terreiros” na diversidade estão imbricados num processo relacional e nunca numa linguagem universal (código seja ele qual for).

Quando me propus a elaborar um Fórum[1] Internacional Permanente sobre Diversidade nas Religiões Afro-brasileiras era para que todos que desejassem, sem nenhuma seleção, pudessem opinar, melhor, contribuir. Portanto, não estou falando por nossa comunidade (Religiões Afro-brasileiras/Americanas), apenas fui um canal facilitador para que todos pudessem se expressar, suas particularidades terem voz, uma característica da diversidade, da diferença do outro (alteridade), da pluralidade.

A “verdade” não é minha, mas de todos, eis, pois a diferença. Não quis a opinião de escolhidos, dos melhores (como se isto fosse possível), mas de todos os interessados, que auguro votos, sejam todos os sacerdotes/sacerdotisas do povo de santo.

Não coopto ninguém. Os que se interessaram em contribuir o fizeram de livre e espontânea vontade, pois pregam e vivenciam a diversidade como forma de aproximar a todos, reunindo e remindo a “comunidade de santo”. Discordo in tótum dos que doutrinam e divulgam à socapa: “A verdade dos dominantes se transforma na verdade de todos”.

Sou pela particularidade e não pela universalidade, pois alguns pequenos grupos querem homogeneizar, claro, para terem o poder hegemônico (o grupo – parte falando pela comunidade – todo).

Creio que cada Religião Afro-brasileira/americana precisa dar sentido à sua verdade, e para isto não pode olvidar que o público alvo ou públicos podem ser:
Filhos de santo (linguagem específica ou iniciática) com uma linguagem peculiar à cada religião afro-brasileira.
Clientes ou simpatizantes – linguagem em geral, mágico-religiosa. A seguir, aproximação com a filosofia do “terreiro”.
Sociedade como um todo. Discurso decodificado e traduzido sobre como são entendidos os problemas existenciais, cosmológicos, ecológicos, culturais, sociais, políticos e econômicos.
Tanto teólogos quanto sacerdotes podem imbricar a comunicação aos três públicos, isto é, um discurso que atende a todos, que é o que se deseja.

Só por estes primeiros objetivos melhor pode se entender quando se afirma que a Tradição das Religiões Afro-brasileiras/americanas tem como constante a contínua mudança. Sim, a Tradição é algo que nos remete à continuação, todavia se não houver transformação ou mudança estará fadada a desaparecer. Eis a tarefa de todos os sacerdotes das Religiões Afro-brasileiras/americanas, observar a necessidade do respeito à diversidade, onde não mais haverá eu e outro, mas sim nós, nossa Tradição. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
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O SACERDOTE DE UMBANDA E O SACERDÓCIO UMBANDISTA





O Sacerdote de Umbanda e o Sacerdócio Umbandista

Observando a forma como surgem os centros de Umbanda e conversando com muitas pessoas que dirigem seus centros, cheguei a algumas conclusões aqui expostas e que, espero, não despertem reações negativas mas sim levem todos à reflexão. Só isto é o que desejo, e nada mais.

Todos os dirigentes com os quais conversei foram unânimes em vários pontos:

a) foram solicitados pelos seus guias espirituais para que abrissem suas casas.

b) todos relutaram em assumir responsabilidade tão grande.

c) todos, de início, se sentiam inseguros e não se achavam preparados para tanto.

d) todos só assumiram missão tão espinhosa após seus guias afiançarem-lhes que tinham essa missão e que teriam todo o apoio do astral para levá-la adiante e ajudarem muitas pessoas.

e) todos sentiam então que lhes faltava uma preparação adequada para poderem fazer um bom trabalho como dirigente espiritual.

f) todos confiavam nos seus guias espirituais e no magnífico trabalho que eles realizavam em benefício das pessoas.

g) todos, sem exceção, só levaram adiante tal missão porque acreditaram nos seus guias.

h) todos se sentem gratos aos seus guias por tê-los instruído quando pouco ou quase nada sabiam sobre tantas coisas que compõem o exercício da mediunidade e sobre sua missão de dirigir uma tenda de Umbanda.

i) mas todos ainda acham que há algo a ser aprendido e acrescentado ao seu trabalho, mesmo já tendo muitos anos de atividade como dirigente e de já haver formado médiuns que hoje também já montaram e dirigem suas próprias casas.

j) e todos acreditam que sempre é tempo de aprenderem um pouco mais e não têm vergonha de ouvir o que outros dirigentes têm a dizer.

Bem, só com essas observações acima já temos um retrato fiel dos dirigentes umbandistas, e posso afirmar com convicção algumas conclusões a que cheguei:

a) na Umbanda o sacerdócio é uma missão.

b) o sacerdote de Umbanda (a pessoa que deve dirigir um centro e comandar os trabalhos espirituais) não é feito por ninguém; ele já traz desde seu nascimento essa missão.

c) o sacerdote de Umbanda invariavelmente é escolhido pela espiritualidade.

d) só consegue dirigir uma tenda quem traz essa missão pois esta também é dos guias espirituais.

e) mesmo não se sentindo preparado para tão digno trabalho, no entanto, a maioria crê nos seus guias e leva adiante sua incumbência.

f) mesmo não sabendo muito sobre como dirigir uma tenda os guias suprem essa nossa deficiência e vão nos ensinando coisas muito práticas que, com o passar dos anos, se tornam um riquíssimo aprendizado.

g) todos gostariam de se preparar melhor para o exercício sacerdotal, ainda que já sejam ótimos dirigentes espirituais.

h) todos lêem muito sobre a Umbanda e procuram nas leituras informações que os auxiliem no seu sacerdócio.

i) muitos fazem vários cursos holísticos para expandirem seus horizontes e a compreensão do que lhe foi reservado pela espiritualidade.

j) todos gostariam de ter alguém (uma escola, uma federação, uma pessoa) que pudesse responder certas dúvidas que vão surgindo no decorrer do exercício da sua missão.

Bem, o que deduzi é que ninguém faz um dirigente espiritual porque só o é ou só o será quem receber essa missão dos seus guias espirituais.

Mas, se assim é na Umbanda, no entanto o exercício do sacerdócio pode ser organizado, graduado e direcionado por uma “escola”, e isto facilita muito porque traz confiança e orientações fundamentais ao dirigente espiritual.

Devíamos ter na Umbanda mais escolas preparatórias tradicionais que auxiliassem as pessoas que trazem essa missão, tornando mais fácil as coisas para elas.

E, lamentavelmente, além de só termos alguns cursos voltados para esse campo, ainda assim quem ousou montá-los é injustamente acusado de charlatão, embusteiro, aproveitador e outros termos pejorativos.

Eu mesmo, só porque montei um “colégio” sob orientação espiritual e só porque psicografei algumas dezenas de livros de Umbanda (muitos ainda não publicados) já sofri todo tipo de discriminação, de calúnia, de ofensas e de acusações que espero que cessem, pois os umbandistas acabarão por entender que todas as religiões têm escolas preparatórias dos seus sacerdotes.

Só assim, com todos aprendendo as mesmas diretrizes e doutrina umbandista, a nossa religião conseguirá organizar-se e expurgar do seu meio os espertalhões que têm feito coisas condenáveis e cujos atos têm refletido negativamente sobre o trabalho sério de todos os verdadeiros umbandistas.

Pai Rubens Saraceni.

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - TRADIÇÃO É PARA TODOS ?






Religiões Afro-brasileiras - Tradição é para todos?...


Na praxis do templo, da doutrina esposada pelo mesmo, é necessário que seu mandatário tenha como sabedoria religiosa e mágica a Tradição.
Sim, é necessário conhecer e viver a memória de seu iniciador (Pai, Mestre...), do pai iniciador, do pai do pai do iniciador, enfim de sua raiz ou linhagem com as reatualizações devidas.
Considera-se importantíssimo conhecer e vivenciar a Tradição, pois implica em saber a origem, resgatar a memória, entender e vivenciar, inclusive no estilo de vida, a Tradição na sua comunidade-terreiro.
Pode-se associar a Tradição à origem, à memória resgatada e, muito principalmente, a reatualização, sendo que o olvido da última, com raras exceções leva o individuo ao desenraizamento. O pior é que o mesmo não percebe, caso contrário estaria atualizado com os conhecimentos e práticas de sua raiz ou de seu Mestre-Raiz.
Quando bem vivenciada a Tradição, por discípulos maduros, que serão Mestres, são eles possuídos de um salutar sentimento de pertença, o que fortalece sobremaneira sua identidade como ser individual ou como ser coletivo (comunidade-terreiro).
A Tradição é transmitida, tal qual a cultura, mas principalmente pela transmissão de valores éticos, espirituais através das gerações.
Cada comunidade-terreiro de fundamento ou Tradição tem aquele que “incorporou” a ancestralidade, vivenciando-a, reatualizando-a tal qual presenciaram e respiraram com seus Mestres (Pais ou Mães de Santo).
O discípulo preparado, longe da vaidade, do orgulho e da hipertrofia do ego, está sendo a própria Tradição por intermédio de seu Pai ou Mãe de Santo, detentor e transmissor da mesma. Sim, ele não só sabe, vive, é a própria Tradição, a ancestralidade rediviva.
A Tradição pode ser entendida como sendo a transmissão de práticas, valores espirituais de geração em geração, algo seguido e respeitado no decorrer do tempo.
O étimo do vocábulo em grego, paradosis e, em latim tradere – significando entrega, transmissão.
Em continuação é importante perceber como se “incorpora” a Tradição, vivenciando-a na sua mais pura acepção, com sua constante, e necessária reatualização.
Quando um Mestre Espiritual consumado se expressa, o faz em seu próprio nome e de todos os que o antecederam, e isto é muito importante.
Pai Rivas vivencia seu sacerdócio há mais de 43 anos, “incorporando” seu primeiro Mestre - Pai Ernesto Xangô Ayrá – Sacerdote Oluô da Tradição africana keto. Com ele teve os primeiros contatos com o Opele Ifá e a Tradição de Santo (Orisha). Em 1971 conheceu seu derradeiro Mestre – Pai Matta e Silva (W.W. da Matta e Silva) com o qual teve uma vivência, convivência iniciática de dezoito anos, não sendo apenas Iniciado no 7º Grau, no 3º ciclo, mas o detentor de mando da raiz, ou seja foi elevado em 07/12/88 a sucessor de seu Pai Matta e Silva.
Obvio está que ser iniciado em duas Tradições diferentes poderia ser problemático, mas conciliado as diferenças, buscou nas semelhanças (ambos preconizavam o oráculo de Ifá – Oponifá e Opele Ifá) erigir seu templo, a Tradição da qual é o detentor, atualizando-a constantemente, algo que culminou com a fundação inédita, da Faculdade de Teologia (FTU) com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras, regulamentada e autorizada pelo MEC – órgão governamental que normatiza e fiscaliza o ensino universitário no Brasil.
O meio acadêmico realça tal empreitada, pois no mesmo espaço há salas de aula (conhecimento acadêmico) e o Templo (conhecimento religioso, fé, crenças) sendo considerado paradigma a ser seguido.
Isto só foi possível, pois acredita-se que a diversidade é uma forma inteligente e ética de convivência pacífica, de respeito às diferença, e mais, o reconhecimento do outro que é merecedor dos mesmos direitos, a tão propalada igualdade.
As mudanças ocorreram e ocorrerão, e com elas reatualizações que manterão viva a “Tradição de Santo”, algo que não será entendido por todos.
A vida é assim, o importante é que a Tradição mantida e reatualizada sempre proporcione felicidades àqueles que a seguem, e àqueles que a deixam. A verdadeira Tradição sempre é e será provedora de paz e entendimento, permitindo a todos decidirem e escolherem seus caminhos, sejam com Ela ou sem Ela, mas todos felizes. Ashé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
http://sacerdotemedico.blogspot.com/2011/11/religioes-afro-brasileiras-tradicao-e.html