RECONHECIMENTO DO TERREIRO DE UMBANDA SÃO COSME E SÃO DAMIÃO
RECONHECIMENTO DO TERREIRO DE UMBANDA COM MAIS DE 40 ANOS DE EXISTÊNCIA, PELA CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, ATRAVÉS DO VEREADOR ÁTILA NUNES.
MOÇÃO RECEBIDA NA CÂMARA DOS VEREADORES PELA DIRIGENTE YALORIXÁ CRISTINA CAVALCANTE.
Babalorixá - Jorge Luiz Amaral
A Umbanda é Religião ?
É Religião quando procura implantar a Fé no coração dos filhos, ensinando-os a crer num Deus Onipotente, Justo, Verdadeiro, Impessoal, Eterno, Sem princípio e Sem Fim; quando os ensina a elevar seu pensamento àquela Fonte Inesgotável de Amor e Bondade, da qual podem socorrer-se em todos os momentos de aflição ou de dor; quando lhe ensina a perdoar ao seu próximo as ofensas recebidas e a retribuí-las com eflúvios de amor, bondade, paz e harmonia, para que ele sinta, em seu próprio coração, toda a grandeza destes divinos, dons; quando procura despertar nos sentimentos de misericórdia, caridade e filantropia, através dos quais podem ser minorados os sofrimentos e atribulações dos nossos irmãos e companheirosde peregrinação terrena; quando, enfim, lhes demonstra que só o amor constrói, eleva e fortifica as almas, acendendo nelas a chama sagrada que lhes iluminará o caminho, em sua marcha ascencional e eterna para Deus.A Umbanda nos apresenta aspectos de sua doutrina religioso-filosófica, dentro de seus reais fins evolutivos.
Ela não é, porém, apenas uma concepção religiosa, mesmo no sentido mais alto do termo. Ela é segundo a necessidade e grau evolutivo dos seus adeptos, ao mesmo, tempo Religião, Ciência e Filosofia.
A Umbanda é Ciência ?
A Umbanda é Ciência, quando nos desvenda, diante dos nossos espíritos maravilhados, toda a Sabedoria Divina representada nesta grandiosa concepção do Universo, suas leis, sua força e mecânica, atuando regular e permanentemente em tudo quanto existe, desde o mais ínfimo dos seres orgânicos, até ao mais evoluído, puro, perfeito, dos seres imateriais, à própria Divindade enfim.
A Umbanda é Ciência, quando procura despertar em nós o conhecimento de nós mesmos, como espíritos concientes, responsáveis pelo nosso próprio destino, senhores e dominadores deste organismo físico que começamos a construir desde o ventre materno, para nos servir de veículo em cada uma das nossas vindas à terra,e pelo qual somos responsáveis como condutores perante as leis imutáveis da mecânica universal.
A Umbanda é Ciência, quando nos demonstra que possuímos dentro de nós mesmos, em estado latente, a essência de todos os conhecimentos humanos, e que a ação de nossa própria vontade, concientemente dirigida, pode desperta-los gradualmente, para que deles nos utilizemos na construção da nossa maior felicidade terrena; quando nos desvenda os detalhes maravilhosos do nosso organismo, os nossos órgãos, células, e sua subconstituição de eletróns e de ions, que não são senão agrupamentos de outros seres viventes, que amanhã serão novamente mineral, vegetal, em seguida animal, por uma nova assimilação em organismo físico, e assim sucessivamente, até atingirem o grau evolutivo que lhes permita a posse do raciocínio, e do livre arbítrio que nós já possuímos.
Mais ainda: A Umbanda é Ciência, quando nos demonstra com superabundância de fenômenos sensíveis à nossa percepção, que tudo é semelhante no Universo; que a constituição do microcosmo é perfeitamente igual à do macrocosmo, que a essência é a mesma e única em tudo, que os astros e sistemas solares que constituem o Universo, são habitados por outras tantas humanidades, segundo o grau evolutivo de que as mesmas se compõem; que os planetas vivem, sentem, gozam e sofrem, de acordo com os sentimentos, atos ou gestos dos respectivos habitantes; quando nos demonstra a relação existente em cada um dos nossos órgãos e membros, o coração, o fígado, o baço, os pulmões, a bexiga, os rins, os intestinos, o cérebro, as pernas, os braços, etc., com determinado planeta ou astro do nosso sistema solar, a cuja influência estão de alguma forma sujeitos, razão pela qual por vezes se enfraquecem ou adoecem, sempre, entretanto, em consequência de uma atitude, gesto, ou pensamento do nosso espírito.
A Umbanda é Filosofia ?
A Umbanda é Filosofia, quando nos sublima com a definição da Verdade manifestada em tudo, sob a concepção do princípio ternário.
Efetivamente, o princípio filosófico sobre o qual assenta e age a Umbanda, pode ser definido sob diversos aspectos, todos, porém, inteiramente ligados ao número três, que é o símbolo deste princípio.
O princípio ternário, ou a Triunidade sagrada , pode ser demonstrado na manifestação da criança, do caboclo e do pai velho.
Este princípio constitue a base fundamental de todos os conceitos de Umbanda, e nele se enquadram todas as fases evolutivas do ser humano que aspira caminhar para Deus.
Geometricamente, podemos demonstrar' o princípio ternário de Umbanda pelo triângulo das manifestações, significando, por assim dizer, uma síntese perfeita de toda a sua filosofia: Pensamento,Sentimento e Acão.
Com efeito, Umbanda pode ser definida sob várias formas deste princípio, todas perfeitamente enquadradas nos postulados de sua filosofia. Sentimento, Pensamento e Ação, traduzem o conjunto de suas atividades no primeiro, segundo e terceiro planos.
Sentimento, é a sensibilidade educada dos seus trabalhadores mediúnicos, indispensável ao encaminhamento das almas para a luz, onde mestres invisíveis as esclarecem, mediante a exibição de quadros fluídicos de suas vidas passadas; é a aplicação devotada e sincera da faculdade intuitiva dos seus adeptos, em virtude da qual se tornam intermediários úteis dos espíritos evoluídos, para a recepção dos esclarecimentos necessários ao bom desempenho de sua nobre missão.
Sentimento é, ainda, a capacidade existente em cada médium do Espiritismo de Umbanda, em assimiliar a dor e o sofrimento do próximo, amenizando-a e até anulando-a, segundo o grau de desenvolvimento em que esta faculdade se encontre no espírito de cada um.
Pensamento, pode ser definido em Umbanda como o veículo da ideia, o meio de que dispõem os seres humanos para se comunicarem com os mais altos planos do Infinito, e cujo potencial nenhuma creatura humana é capaz de avaliar com precisão, acreditando-se porém, que cresça constantemente, na proporção do esclarecimento de cada mente. Derivada do latim pensare, (ponderar), e mens (inteligência), esta palavra ainda não define, com a exatidão precisa, o sentido de um dos mais belos fenômenos em que somos parte.
O pensamento é uma espécie de vibração semelhante à das ondas de Hertz, com a diferença de que estas se propagam em círculos concêntricos, ao passo que as vibrações mentais podem ser emitidas numa direção determinada pela mente.
E' por meio das ondas vibratórias do pensamento, que na Umbanda se estabelece a mais perfeita ligação entre o local de sua ação, e os planos para os quais devem seguir os espíritos encaminhados. Da união (concentração) das vibrações mentais (pensamentos) de muitas mentes reunidas, constrói-se a corrente mental necessária ao bom êxito da ação, sem a qual todos os esforços seriam nulos.
E', portanto, por meio do Pensamento que os adeptos de Umbanda realizam a parte mais elevada de sua doutrina filosófica, que é a utilização de suas vibrações mentais sadias, elevadas, puras, em benefício dos seus semelhantes. Para isto é que se lhes recomenda continuamente, que devem conservá-lo sempre isento de vibrações grosseiras, baixas, nauseabundas, o que se consegue pela correção de todos os deslises morais, ou seja, na condução da vida terrena dentro de uma conduta moral ímpar.
A Acão é, por sua vez, o ângulo complementar do princípio ternário na Umbanda, simbolizando a corrente dinâmica emanada da conjunção dos ângulos anteriores. Desenvolvendo-se no sentido trifásico, a Ação se traduz no movimento operado pelo adepto, ao dirigir as suas vibrações mentais, tocadas pela sensibilidade apurada de sua personalidade interna, ou "Eu Superior", em favor dos seus irmãos necessitados.
A Ação, é o próprio número três, formado pela soma dos dois primeiros e mais um; é o movimento que estabelece o equilíbrio, passando sucessivamente de um a outro ponto.
O número três é a consubstanciação da ideia, força e equilíbrio, simbolizados no princípio ternário, sobre o qual assenta e age a Umbanda.
Estudando à luz deste princípio a própria constituição do Universo, encontramos a sua simbologia traduzida em Energia, Inteligência e Vontade, de cuja trindade emanam todas as demais concepções.
Se examinarmos um objeto qualquer, construído de matéria condensada, peculiar ao nosso mundo, haveremos de constatar nele estas três dimensões: comprimento, largura e espessura.
Se observarmos uma superfície líquida, um lago ou tanque cheios de água, aí encontraremos igualmente três dimensões: extensão, largura e profundidade.
Ao pronunciarmos uma palavra qualquer, utilizamos, sem o sentir, três outras faces do princípio ternário: força, pensamento e som.
Estudando a constituição do ser humano, constatamos a existência de três elementos essenciais, que são o corpo, a mente e o intelecto, formando a trindade na unidade, e dos quais decorrem todos os outros.
O mesmo princípio ternário se encontra na base de todas as ciências. Assim, por exemplo, em geometria, ele é comprimento, largura e altura; em gramática, ele é sujeito, objeto e ação; em lógica, é observação, raciocínio e dedução; em matemática, é número, medida e peso; no tempo, é passado, presente e futuro; na família ele é representado pelo pai, a mãe e o filho; na manifestação do ideal, é imaginação, criação, realização.
A concepção da própria Divindade está simbolizada no princípio ternário: Perfeição, Amor e Verdade.
Aí está, em síntese, o princípio em que se apoia e age a Umbanda, na condução das almas para a perfectibilidade. Seguindo-o, os seus adeptos abrem suas mentes à compreensão de que tudo é vibração no Universo, e que toda a vida está sujeita às mesmas leis cósmicas, imutáveis e perfeitas, seja ela a do organismo mais ínfimo ou a dos seres mais robustos, habitantes da superfície terrena, ou da profundidade insondável dos oceanos.
E compreenderá, finalmente, a grande verdade de que o ser Humano não vale por si mesmo, pela sua inteligência, pela sua cultura; mas, sim, e unicamente, pela vibração de suas obras, resultantes da perfeita conjunção deste principio ternário que é Sentimento, Pensamento e Acão.
Uma Filosofia apoiada em tão sólidos princípios, há de certamente contribuir, de maneira eficaz e proveitosa, para o mais rápido advento dessa "nova ciência com que o Homem do futuro, prestes a nascer, fundará a nova civilização do terceiro milênio".
www.tuccaboclobeiramar.com.br/
EQUILÍBRIO ENTRE INTERNO E EXTERNO TRANSCENDENTE E MANIFESTO
EQUILÍBRIO ENTRE INTERNO E EXTERNO
TRANSCENDENTE E MANIFESTO
Ciência e Espiritualidade necessitam de um diálogo sincero e honesto. Vivemos uma separação, uma fragmentação como diria David Bohm, onde a visão de mundo necessita de uma mudança urgente, pois a cosmovisão atual não consegue dar explicações para as emergentes necessidades da sociedade que se encontra em perigo, pois, na individualidade, essa fragmentação gera uma cicatriz e a ilusão da separação, onde não há espaço para valores e virtudes. Esses mesmos valores e virtudes que, antigamente, eram referendados e cultivados pela religião como um caminho na conquista de dias melhores. Hoje parecem fadados ao esquecimento.
Não há uma prática individual com o claro objetivo de buscar o significado desses valores em nosso processo de viver. Essa curta reflexão tem um grande objetivo: Despertar! Chamar a atenção! Provocar uma discussão salutar! Gerar conflitos no inconsciente, aumentando as possibilidades para uma escolha e uma solução! Será que há algum motivo para pensarmos em futuro? Podemos dizer, baseado em evidências óbvias, que o ser humano é destinado para a finititude? Qual é a falha de interpretação que leva religiosos fundamentalistas, que tem um Deus benigno, a declararem guerra contra seus semelhantes causando destruição e mortes? Esse Deus bondoso e transcendente pode ainda influenciar e agir nesse mundo de matéria? Ou Ele criou a tudo e a todos e deixou-nos literalmente ao deus-dará com suas Leis divinas e regras de um jogo que mal compreendemos para que, em um curto espaço de tempo, conquistemos nossas virtudes e valores e, quando chegar diante do seu trono, sermos julgados pelos nossos atos e, dessa forma decretar o destino de nossas almas para o céu ou para o inferno definitivamente? Esse Deus de palha já foi facilmente destruído pela ciência. Nietszche declarou “Deus está morto”.
Um Deus transcendente e separado não pode interagir de forma causal com a matéria. A revolução científica, baseado na filosofia do monismo materialista, trouxe uma contribuição grande com o desenvolvimento tecnológico dando realmente uma idéia de progresso. Esse progresso foi baseado nas descobertas das interações materiais onde todo gênio cientifico tenta explicar com suas teorias a natureza da Natureza. Tudo é matéria e não há nada além da matéria e, portanto, não há espaço para um dialogo com o sutil, com a espiritualidade, com a subjetividade, com a consciência, com os pensamentos, sentimentos, intuições, pois são todos aspectos internos e a ciência as vê como subprodutos de interações materiais e, portanto, sem poder causal sobre matéria. Dessa forma vem desconstruindo tudo aquilo que diz respeito ao interno de cada um de nós, valores e virtudes não passam de bagagem extra e devem ser descartadas pela ciência, ou no mínimo continuarem separadas o que permitiria aos cientistas ainda irem em seus cultos religiosos no domingo, pois afinal de contas esse Deus pode ser benigno.
Separação e fragmentação. Diálogo entre ciência e espiritualidade. Veremos como a física quântica pode criar um processo dinâmico de transformação em nossas vidas e mudar a visão de mundo buscando uma integração entre Deus e suas criaturas, bem como nosso ambiente interno e externo, resgatando Deus para a ciência e para nossas vidas.
Dr. Milton Cesar Ferlin Moura
O TEMPO
TEMPO
A ciência tem dificuldade em definir tempo. O tempo físico “inanimado” necessita de outros parâmetros para ser definido. Atualmente, a unidade de segundos é definido como sendo uma oscilação de ciclos de radiação do césio 133 em um determinado período. Quando o elétron salta de um estado de alta energia para um de baixa energia ele emite uma radiação eletromagnética. Essa radiação oscila em uma determinada frequência. A frequência é “exatamente” 9.192.631.770 Hz. Conforme o Sistema Internacional de Unidades essa tem sido a definição de segundo desde 1967. A cada segundo o césio 133 emite 9.192.631.770 ciclos de ondas eletromagnéticas. Nossa unidade de tempo “segundo” é definido conforme esse parâmetro. Seguindo esse mesmo raciocínio a ciência tem dificuldade em definir energia. Há necessidade de outros parâmetros para essa finalidade. O tempo é uma grandeza objetiva ou subjetiva? A física da matéria inanimada insiste em afastar a participação do observador. O observador é fundamental e necessário para compreender o tempo. Os aspectos subjetivos são tão importantes quanto os objetivos. Um dos poucos pontos em comum entre a ciência e a espiritualidade é que ambos concordam que o tempo é relativo. Não precisamos nem requisitar a presença de Einstein para essa explicação. Ela faz parte do senso de percepção comum.
Dependendo do estado de consciência a percepção do fluxo de tempo muda. No estado de sono profundo não temos a experiência de tempo. No estado de sonho o tempo é fluido: uma era em um minuto. No estado de vigília o tempo é relativo e depende dos referenciais adotados. Lembram disso na física ginasial? O tempo depende do nosso sistema nervoso. Cada ser senciente irá perceber o tempo conforme o sistema nervoso disponível para essa percepção. O sistema nervoso de uma lagarta é diferente do nosso. Se retiramos uma folha da sua trajetória ela irá “pensar” que a mesma simplesmente desapareceu. As “fotografias” da realidade passam mais lentamente. Os seres humanos tem a capacidade de acelerar ou desacelerar o tempo conforme o estado de consciência. Será que a subjetividade é confiável? Nenhum físico afirma que suas medidas se modificam porque ele está ou não com cefaléia naquele dia. O tempo é uma experiência da consciência. Podemos pensar que o tempo não seja nem abstrato e nem objetivo. O tempo é pessoal e participativo. O Universo é participativo. Nós conseguimos participar do tempo e da mesma forma que participamos do tempo talvez tenhamos uma pista da participação da atemporalidade. Sem tempo? Como assim? Sob qualquer aspecto do tempo subentende-se a idéia do não tempo (atemporalidade). Antes do Universo não existia o tempo! Nós temos quevivenciar o tempo! Da mesma forma podemos vivenciar a atemporalidade e entender melhor aquilo que chamamos de “vida eterna”, “alma imortal” e “Deus transcendente”. Eternidade seria compatível com uma realidade onde o tempo não estaria presente. Eternidade não é compatível com um período de tempo muito longo. Na eternidade, o tempo não está presente!
Precisamos pedir ajuda ao Oriente! Nos estudos das experiências de meditadores, a subjetividade é confiável! Eles relatam a experiência do Samadhi que seria um estado de consciência zero, ou seja, um estado de eterno agora atemporal. Nesse estado de consciência zero o tempo deixa de existir com evento mensurável. Passamos a vivienciar o fluxo do tempo quando a consciência una divide-se em sujeito e objeto. Quando da mensuração quântica no cérebro a consciência identifica-se com o mesmo e surge o “self”, mas isso é outra história…Seguindo em nosso raciocínio, o próprio Universo possui um estado atemporal que é o campo do ponto zero ou “vácuo” quântico. Antes da singularidade do Big Bang havia apenas a potencialidade do tempo. Depois surgiram todos os objetos quânticos em ondas de possibilidades como: enegia, spin, peso, gravidade. Potencialidade é potencialidade, isto é, não tem ciclo ou ciclos. Abrange passado, presente e futuro. O estado básico da física é análogo ao estado zero doSamadhi. Nós sempre seremos eternos. Quando perdemos a conexão com a eternidade ficamos presos na ilusão dependente das medidas, ficamos dependentes em medir o tempo. Como podemos vivenciar a eternidade? Como?
A mente humana é vista pela ciência materialista como um epifenômeno do cérebro. Porém, a ciência quântica unida com a espiritualidade vê a mente humana não como subproduto do sistema nervoso, mas como agente causador real de onde “nascem” os pensamentos. Como podemos “pensar” em atemporalidade? Como seria possível se o próprio pensamento leva tempo para ser formulado? Eis a pista!!! Os meditadores experientes perceberam que se o pensamento pára, o tempo também pára. O movimento do pensamento é importante para o tempo. Se os pensamentos param de se movimentar, o tempo faz o mesmo. Quem já experimentou a sensação do famoso “branco”? A subjetividade de percepção do tempo depende dos pensamentos. O Universo é o movimento do pensamento. Isso é profundo!!! A mente em silêncio cocria a realidade física por meio de um pensamento. Uma vibração e uma frequência. Sem isso o tempo não pode ter início! As vibrações emergem de uma fonte. Quando o tempo entra na manifestação ele é adaptado ao sistema nervoso. Temos que “metabolizar” a experiência abstrata do tempo da mesma forma que metabolizamos o alimento em nosso sistema digestivo.
O nosso crescimento e desenvolvimento necessita conhecer e administrar o tempo. Os genes precisam conhecer o tempo. Saber o tempo correto para substituir os dentes de leite, saber o início da puberdade, saber o início da menopausa e dessa forma devemos possuir um “relógio” biológico a serviço da consciência. Sim, temos esse “relógio”. Nossos genes são muito mais que receitas de instrução. A consciência possui a sua disposição a telomerase (Descoberta da cientista Elizabeth Blacburn em 2010) capaz de administrar o tempo, inclusive o envelhecimento. Quando menos telomerase mais rápidos envelhecemos. Da mesma forma, hábitos de vida saudáveis e meditação são capazes de aumentar a quantidade de telomerase no organismo. Conseguimos sinalizar nossos genes para cumprirem suas funções. Os fatores epigenéticos demonstram uma importância fundamental para a expressão gênica. Um único gene é capaz de mais de 30 mil expressões diferentes através da ação desses fatores epigenéticos. É um avanço enorme muito além do que poderia prever o projeto genoma humano em 2003. Vinte mil genes foi o detectado, muito aquém do imaginado. Porém, a partir do “fracasso” desse projeto muitos outros questionamentos foram necessários para novas soluções. Ampliar o paradigma para explicar o movimento da consciência. Estamos caminhando nesse sentido. Tentando integrar ciência e espiritualidade. Não há necessidade de exclusão. Ambas podem dar um bom aperto de mãos.
Nós seres humanos estamos situados em um horizonte de eventos entre o manifesto e o transcendente, entre o tempo e a atemporalidade, entre o visível e o invisível. Lembram da definição da realidade pela física quântica? A realidade existe sempre em dois domínios: Possibilidades e fato manifesto.
DR MILTON CESAR FERLIN MOURA
Reflexões sobre a diversidade cultural-religiosa afro-brasileira
Hoje gostaríamos de apresentar algumas reflexões sobre a
diversidade cultural-religiosa de nosso país. Vários foram os estudiosos que
registraram as matrizes formadoras do povo brasileiro, um deles foi Darcy
Ribeiro que sistematizou as contribuições culturais-religiosas dos ameríndios,
africanos e indo-europeus.
Atualmente é corrente na academia a terminologia “matriz
formadora” e gostaríamos de refletir sobre ela. Matriz é uma palavra que
significa origem, fonte e a palavra formadora aquilo que dá corpo, estrutura,
que constitui, assim, os indígenas autóctones, os negros que chegaram ao país
escravizados e os indo-europeus na condição de colonizadores são povos que, com
sua bagagem cultural, social, religiosa, estruturaram o que posteriormente veio
a ser chamado povo brasileiro ou apenas o brasileiro.
Felizmente as religiões afro-brasileiras foram igualmente
formadas pelas três matrizes fazendo com que elas tenham em seu bojo a
diversidade de formas de viver e cultuar a religiosidade. Não vemos esse
caldeamento como algo negativo, muito ao contrário, a grande riqueza das
religiões afro-brasileiras é sua diversidade, o “colorido religioso”, a ampla
gama de contribuições.
Infelizmente, muitos pensam que a diversidade é um elemento
que dificulta a criação de uma identidade religiosa, mas nossa visão é
justamente oposta. A diversidade é um dos elementos fundantes das religiões
afro-brasileiras. O cientista social ou mesmo adeptos de outras confessionalidades,
sentem dificuldades em ir a um determinado terreiro e não saber ao certo qual a
linha praticada. Isso porque, ainda que cada Escola Afro-brasileira tenha sua
cosmovisão e liturgia específica elas comungam de elementos tais como o transe,
a dança, cânticos, crença nas entidades sobrenaturais, entre outras.
Outro dado que dificulta a real compreensão do universo
religioso é a mídia, a qual sempre que pode, apresenta em seus programas de
informação ou entretenimento mensagens subliminares ou de descrédito e gozação.
O trabalho de todos os militantes afro-brasileiros sejam eles
sacerdotes e sacerdotisas ou adeptos é no terreiro com seus Orixás, ancestrais,
encantados para que essa vivência possa sair das quatro paredes templárias e
ser incorporada na vida cotidiana. É um processo interno, de vivência
iniciática e também externa de estilo de vida.
Agradecemos por fazer parte da diversidade cultural-religiosa
afro-brasileira que, em última instância, é vivenciar a diversidade humana
brasileira!
Axé!
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”Blog - Espiritualidade e Ciência
Tradição, Linhagem e Ética nas Religiões Afro-brasileiras
Dedicamos nossa última
publicação às questões da ética nas religiões afro-brasileiras. Gostaríamos de
prosseguir este assunto com novas reflexões que esperamos possam contribuir com
todos.
A ética pode ser
abordada em vários setores e a religião é apenas mais um desses. Consideramos,
porém, que a ética nas religiões afro-brasileiras difere um pouco das demais
religiões. Não é melhor, mas diferente.
Chegamos a este
argumento pelos anos de vivência no universo afro-brasileiro e perceber nele um
senso de pertença e de comunidade pouco encontrado nas religiões de grande
números de adeptos. Nestas (catolicismo, protestantismo, entre outras), os
adeptos vão aos rituais, comungam dos mesmos hábitos religiosos mas acabam, na
maioria das vezes, dividindo seu modo de vida com os familiares consanguíneos.
A relação com a comunidade religiosa é mais dissolvida.
Nas religiões
afro-brasileiras, que se originaram de três matrizes (ameríndia, africana e
indo-europeia), talvez por séculos de enfrentamento, perseguições e pelo fato
histórico de subjugação principalmente dos indígenas e negros escravizados, as
religiões vinculadas a estas matrizes apresentam forte vínculo entre seus
adeptos.
O terreiro, templo, choupana,
choça, roça e tantas outras denominações das casas de santo das religiões
afro-brasileiras configuram-se como um santuário de laços espirituais, os quais
são possibilitados pelo sacerdote/sacerdotisa (pai/mãe de santo). Aqui
retomamos a questão da linhagem/raiz como um dos elementos fundamentais para a
constituição de uma Escola religiosa Afro-brasileira. O conhecimento do santo é
“obtido” via oralidade e vivências com o (a) dirigente espiritual e os irmãos
de santo. O conhecimento não é imbutido na cabeça dos iniciantes, antes, todos
constroem o conhecimento coletivamente, em uma teia de relações espirituais.
A liderança religiosa
exerce um papel de suma importância coordenando mentes e corações que
certamente vibram em sintonias diferentes. Mas o segredo é justamente esse,
fomentar o equilíbrio entre as pessoas de modo que as competências individuais
sejam ressaltadas e colocadas em prol do Todo, da comunidade. A teoria da
gestalt, por nós utilizada em outros textos, é aqui retomada. Os sacerdotes e sacerdotisas
procuram sempre pensar a agir pelo Todo, pela comunidade e não pelas
individualidades. É uma ética simples, porém complexa, na medida em que os
seres humanos estão cada vez mais individualistas e egoístas. Pais e mães
espirituais labutam diuturnamente contra a maré da sociedade planetária...mas
não desistem!
Assim, o senso de
pertença da comunidade é muito forte e auxilia a compreensão da identidade das
religiões afro-brasileiras. Sua ética é pautada, portanto, na interdependência.
Aproveitando o ensejo
finalizamos com alguns versos do saudoso poeta João Cabral de Melo Neto, cuja
sensibilidade foi capaz de sintetizar em um poema a ética religiosa
afro-brasileira, sem dar-se conta disso:
“Um galo sozinho não
tece uma manhã:
ele precisará sempre de
outros galos (...)
para que a manhã, desde
uma teia tênue,
se vá tecendo, entre
todos os galos”
Axé!
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2012/05/tradicao-linhagem-e-etica-nas-religioes.html
RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
O MUNDO PODE TER SURGIDO DO NADA?
Tudo que esta no universo é plausível de ser explicado, tem uma causa. Sim, tudo que está no universo pode ser explicado, mas e o universo pode ser explicado? Qual a causa que deflagrou o universo?
Uma outra interrogação, talvez a mais essencial, é necessária: tudo que existe tem uma causa? Se o universo existe, e parece que sim, deve ter uma causa! Satisfeitas as argumentações ou declarações de que o universo existe, qual sua causa?
Antes da resposta devemos lembrar que antes do universo, segundo a ciência, e isto também parece óbvio, não havia NADA, ou seja, não havia algo causado, (efeito), pois o nada não pode ser causa de alguma coisa, ou pode?
Robustecendo o quadro de questionamento, antes do surgimento do universo não havia aquilo que conhecemos como espaço/tempo, ou seja, não havia finitude, dimensionalidade, transitoriedade, mas havia o que? Nada do que conhecemos como as quatro dimensões (ou mais?): largura, comprimento, profundidade e tempo. Mas se não há a finitude e nem tempo, pode-se pensar na infinitude e na eternidade? Será que podemos pensar ou melhor imaginar naquilo que não conhecemos e nem temos condições de conhecer empiricamente? Vejamos!
O universo existe e antes dele nada existia, certo? Estaremos afirmando que ele existiu a partir do nada? O nada pode ter causado o universo? Se o nada causou o universo ele pode causar outras coisas, mas ele tem causado outras coisas? Se a resposta for não, devemos pensar, ou melhor, procurar a resposta na Teologia, que além de crença, fé, rituais é também senso crítico.
Disse é também, mas com certeza não responderá se não estivermos “fundamentados” na crença da religião.
Na obra de nossa autoria Cura e Auto cura nas Religiões afro-brasileiras, comentamos a Cosmologia (criação) por intermédio de vários mitos que podem por meio de sua dimensão complementar a do logos, afirmar que o universo surgiu (cosmogênese) há 13,7 bilhões de anos, tal qual afirma a astrofísica.
Observem que corroboramos com a ciência acadêmica, mesmo porque não podemos regredir a eventos passados infinitos (quando?!), ou seja, os eventos passados são finitos e, precisam ter um começo.
Assim justificamos, pois como pode ter eventos passados infinitos? Simplesmente não podem, pois na eternidade não há espaço nem tempo, logo não há passado, presente e futuro. A eternidade não pode ter início (inicio do tempo que não existe) logo não pode ter fim, por isso que é eternidade.
Mas afinal, como surgiu o universo? Qual a sua causa primeva? O universo surgiu de acordo com o modelo do Big Bang.
As religiões afro-brasileiras explicam (algumas delas) que o Poder Volitivo dois Orishás, deu origem a “Pré-Energia” denominada Substância/Energia Escura, que ao condensar-se em um só ponto (Unidade Cosmológica inicial) deu origem a realidade finita do universo (espaço, tempo). Sim o Big Bang foi deflagrado a partir do “ovo primordial”. Com isto podemos afirmar que o universo obedece leis da termodinâmica (vide vídeo aula – Cosmologia – 2010), ou seja o universo já foi do tamanho de um ponto e ainda esta em expansão.
Aos cientistas que não desdenham das religiões e os que desdenham, sejam ou não cientistas, temos uma explicação oferecida pelas religiões afro-brasileiras, sobre a precedência dos Orishas (enviados do Deus Supremo) na cosmogênese, sendo, pois, segundo nossos fundamentos, os Senhores do Universo e de toda a criação. Axé!
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html
Assinar:
Postagens (Atom)


.gif)



.jpg)
