BLOG - UMBANDA PARA O MUNDO

Blog voltado às informações e conceitos da Umbanda Blog criado para divulgação de tudo que diz respeito à Umbanda e aos umbandistas, crenças e cultos afins, no Brasil e no mundo.

A DIVINDADE SUPREMA E OS SERES ESPIRITUAIS






A DIVINDADE SUPREMA E OS SERES ESPIRITUAIS

Após a discussão sintética das várias religiões afro-brasileiras entre elas: Candomblé de Caboclo (Ketu, Muxicongo), Umbanda Omolocô, Umbanda traçada, Umbanda Mista, Umbanda Branca ou Umbanda Cristã, Jurema, Terecô, Tambor de Mina, Toré, Xambá, Babassuê, Jarê, Batuque e Xangô, comenta-se na presente publicação a visão da Umbanda Iniciática ou Esotérica (os aspetos internos) sobre os Seres Espirituais ou Espíritos.

O texto apresentado consta na obra – Umbanda a Proto Síntese Cósmica. F.Rivas Neto – Editora Pensamento, 2011; 11ª edição.
“Sobre a Divindade Suprema e os Seres Espirituais discuti-se:
1. Todos os espíritos são IMATERIAIS – Somos isentos de matéria, de energia ou qualquer processo agregativo sobre nós. Não somos compostos atômicos, eletrônicos, fotônicos, quarks, antimatéria, etc. Somos apenas Espíritos, com nossa própria Natureza Vibratória Espiritual.
2. Todos os Seres Espirituais são INCRIADOS – Somos incriados, pois nossa origem se perde na Eternidade. Somente a Deidade, Detentora e Conhecedora da Eternidade, é quem sabe nossa origem. Afirmamos também que o supremo Espírito não nos criou. Quando dizemos que nossa ESSÊNCIA ESPIRITUAL é originada da mesma do PAI, não estamos dizendo que é a própria do PAI.
3. Todos os seres Espirituais são PERFECTÍVEIS – Todos nós, indistintamente, caminhamos para o nosso aperfeiçoamento.
4. Não fomos criados por Deus simples e ignorantes – DEUS não criaria ninguém simples e ignorantes, esperando que cada um evoluísse e alcançasse a evolução através de duríssimas e penosas provas. A Corrente Astral de Umbanda crê num Deus infinitamente Bom e Justo, e não num DEUS sádico e cruel.
5. Cremos inabalavelmente na Suprema Consciência Una, que estende sobre nós, Individualidades Espirituais, o Seu beneplácito espiritual.
6. Todos os Seres espirituais podem evoluir em 2 regiões distintas:
a. COSMO ESPIRITUAL – É o que já definimos como as infinitas regiões do espaço cósmico onde jamais houve a interpenetração da matéria ou energia. Nesse campo espiritual ou reino virginal, o Espírito pode evoluir segundo um karma causal. É óbvio que, nesse lado da “Casa do Pai”, os Seres Espirituais estão isentos de “veículos” ou Corpos. Não têm a mínima agregação sobre Si de elementos da matéria ou antimatéria.
b. UNIVERSO ASTRAL – É o que também já definimos como uma região do espaço cósmico que já foi interpenetrada pela substância etérica ou matéria-energia.
Nesse Universo Astral é que há os milhões de galáxias, com seus sistemas solares, e esses com planetas, satélites, etc.

É nesse Universo Astral que o Espírito pode evoluir segundo um Karma constituído.
Nesse lado da “Casa do Pai” é que o Ser Espiritual constitui seus 7 Corpos ou Veículos de Expressão de sua consciência, percepção, inteligência, sentimentos, etc., através dos Arquitetos Siderais. Esses 7 Corpos ou “Veículos” do Espírito –Consciência são de Energia-Massa em vários níveis, obedecendo a Setessência da Matéria.

Que não se faça confusão entre Cosmo Espiritual e Universo Astral. Como dissemos, no Universo Astral há os vários níveis energéticos, e o Ser Espiritual, dependendo de seu grau evolutivo, em sua jornada evolutiva, ora estará num dado plano – que lhe caracterizará a necessidade de reajuste no Corpo do plano afim imediatamente superior -, ora no plano imediatamente inferior, gerando, como exemplo aqui na Terra, o fenômeno do NASCIMENTO e MORTE”.

P.S. Com esta publicação inaugura-se uma série de textos ou vídeos que pretendem ser releituras ou ressignificados das obras de Matta e Silva e Rivas Neto.
Isto é possível, pois segundo Rivas Neto a CONSTANTE DA TRADIÇÃO É A CONTÍNUA MUDANÇA, LOGO UMA UNIDADE ABERTA QUE PERMITE RELEITURAS E RESSIGNIFICAÇÕES CONSTANTES. Axé!

Referências Bibliográficas:


Obras de W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacany)
· Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda
· Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho
· Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda
· Umbanda e o Poder da Mediunidade
· Umbanda de Todos Nós
· Umbanda Sua Eterna Doutrina
· Doutrina Secreta de Umbanda
· Umbanda do Brasil
· Macumbas e Candomblés na Umbanda


Obras de F. Rivas Neto (Mestre Arhapiagha)
· Umbanda a Proto-Síntese Cósmica
· Umbanda – o elo perdido
· Lições Básicas de umbanda
· O Arcano dos Sete Orixás
· Exu – o grande arcano
· Fundamentos Herméticos de Umbanda
· Cura e auto cura umbandista – terapia da alma
· Sacerdote, Mago e Médico – cura e auto cura umbandista
· Espiritualidade e Ciência na Teologia das Religiões Afro-brasileiras


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
http://sacerdotemedico.blogspot.com/

ODUS






Odu Ifa

Odus

DIZ-SE QUE, NOS PRIMÓRDIOS DOS TEMPOS, NÃO EXISTIA SEPARAÇÃO ENTRE O CÉU E A TERRA (ORUM-AIYÉ) E QUE HAVIA UMA CONVIVÊNCIA ÍNTIMA ENTRE OS ORIXÁS E OS SERES HUMANOS; TODOS PODIAM IR AO ÓRUM E VOLTAR QUANDO DESEJASSEM. PORÉM UM CERTO DIA, O HOMEM DESONROU SEU COMPROMISSO COM ÓLORUM, PECOU CONTRA O SUPREMO AO TOCAR O QUE NÃO PODIA SER TOCADO. E ASSIM, O MESMO DIVIDIU O CÉU E A TERRA. O PRIVILÉGIO DA LIVRE COMUNICAÇÃO DESAPARECEU EM TROCA DAS DIFERENTES FORMAS ORACULARES ESTABELECIDAS E LEGADAS POR ORUNMILÁ.

Odús (signos de Ifá), são presságios, destinos, predestinação. Os odús são inteligências que participaram da criação do universo; cada pessoa traz um odú de origem e cada orixá é governado por um ou mais odús. Cada odú possui um nome e características próprias e dividem-se em "caminhos" denominados "ese" onde está atado a um sem-número de mitos conhecidos como itàn Ifá.

Os odús são os principais responsáveis pelos destinos dos homens e do mundo que os cerca.
Os orixás não mudam o destino da vida e sim executam suas funções dentro da natureza liberando energia para que todos possam dela se energizar e encontrar seu caminho,
O odú é o caminho, a existência do destino o qual o orixá e todos os seres estão inserido.
Alguém já escutou a seguinte frase ?
-com o destino não se brinca...
-sua vida esta escrita...
-seu destino já estava escrito...
E muitas outras frases populares que refere-se a odú.
Cada pessoa pode ir de encontro ou seguir um caminho alheio ao destino estabelecido, neste caso seu destino e sua conduta fogem as regras siderais (seguiu um caminho diferente dentro do estabelecido). Geralmente nestes casos, as mesmas tentem a sofrer decepções em sua vida em geral (amor, trabalho,família, saúde, mortes prematuras, etc) São nesses casos que a espiritualidade pode ajudar, porém tudo que é natural e de conformidade com o destino, não deve ser modificado.

Nós quando nascemos, somos regidos por um odú que representa nosso "destino" assim como o nosso caminho.

Através de Ifá, podemos averiguar o porque das situações serem adversas as de sua vontade e se a mesma está em um caminho diferente ao destinado ou escolhido.

O destino das pessoas e tudo o que existe podem ser desvendados por meio da consulta a Ifá, o oráculo, que se manifesta pelo jogo. Ifá tem seu culto específico e o mais alto cargo do culto de Ifá é o de Olwo, título concebidos a alguns Babalaôs. Ifá é o orixá da adivinhação e para tudo deve ser consultado. Existem alguns tipos de jogo utilizado por Babalorixás e Yalorixás que não são os mesmos métodos do Opelé Ifá (utilizado pelos Babalaôs em consulta a Ifá), como o rosário de Ifá, o jogo de búzios (meridilogun), etc.

No jogo de búzios (mais comum meridilogun) quem fala é exú, são dezesseis búzios que podem ser jogados também pelos Babalorixás e Yalorixás. A consulta a Ifá é uma atividade exclusivamente masculina, mas as mulheres passaram a poder pegar nos búzios porque oxum fez um trato com exu, conseguindo dele permissão para jogar.

O jogo de Opelé Ifá baseia-se num sistema matemático, em que se estabelece 256 combinações resultantes dos 16 odús usados no jogo de búzios multiplicado por 16. Nada se faz sem que antes se consulte o oráculo, quanto mais séria a questão a ser resolvida, maior a responsabilidade da pessoa que faz o jogo.

Narram algumas lendas que ifá girou pelo mundo, deixando legados e ensinamentos a vários povos de como manter comunicação com os deuses no órun (céu), passando pelos árabes onde não foi aceito e vindo a se estabelecer definitivamente na áfrica, junto aos povos yorubás onde manteve seu legado ensinando aos sacerdotes como restabelecer a comunicação com seus antepassados. Assim ,aperfeiçoando um dos mais avançados métodos de consulta existente.

Existem dezesseis Odu maiores no "Odù Ifá literary corpus" ('livros'). Quando combinados, existem um total de 256 Odu acreditando referir-se todas as situações, circunstâncias, ações e conseqüências na vida. Estes constituem a base do conhecimento tradicional yoruba espiritual e são a base de todos os sistemas de adivinhação yoruba.

Odu é um conceito do Culto de Ifá mas também usado no Candomblé, interpretado no [merindilogun], na caida de búzios.
http://www.orixas.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=43&Itemid=82

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - PSICOLOGIA DO ARQUÉTIPO







RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS – PSICOLOGIA DO ARQUÉTIPO

O homem, por intermédio de suas instituições, procura ajustar-se ao meio em que está inserido.

Precisa adaptar-se aos três níveis de ambiente: o natural, o social e o sobrenatural. A adaptação aos níveis natural e social é mais obvia que ao sobrenatural.

A sua natureza física (biológica) se assemelha à natureza, ao natura naturandis, a Physis à qual se adapta. Quanto ao social é a forma de viver harmonicamente em sociedade, com o outro.

Quanto ao sobrenatural talvez não haja tanta obviedade, pois se relaciona ao imaginário e ao conteúdo inconsciente do coletivo e individual, nem sempre acessível, ou quase nunca, por meios conscientes.

A instituição religião seria o meio pelo qual o homem se ajusta ao seu ambiente sobrenatural (imaginário). Para alguns autores, em especial Keller e Summer, o homem, uma vez que incorre na crença, na existência de “outro mundo”, de espíritos e seres super humanos tem necessidade de a ele se ajustar, da mesma forma que faz com o natural e social.

Na esteira desse conceito deseja-se apresentar a visão de inconsciente coletivo, inconsciente individual e arquétipos associados aos Genitores Divinos (Orishas) e Ancestrais Ilustres (linhagem espiritual).

Reitera-se que a religião em sua mais pura acepção não se baseia apenas em necessidades físicas do homem, sendo a única instituição com tal perfil.

Não por isso, a religião (crenças, fé, rituais) está afeta ao saber mítico, alegórico, enquanto sua vertente crítica, a Teologia se insere no “pensamento racional” (logos), lógico.

Interessante que, apesar de muitos afirmarem que a religião se fundamenta apenas em conceitos absolutos ou metafísicos, ou que o mito se opõe ao logos, tal como a fantasia à razão, como palavra que narra a que demonstra, logos e mito são duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito.

Neste aspecto e momento do discurso é necessário evocar o conceito que
Nietzsche trouxe quando afirmou que a filosofia ocidental a partir de Sócrates foi negada a intuição criadora da filosofia pré-socrática. Com isso se faz a distinção e se estabelece dois princípios: o apolíneo e o dionisíaco – a partir de Apolo (deus da razão, da clareza, da ordem, etc.) e Dionísio (deus da aventura, da música, da fantasia e da desordem).

Obvio esta que tais princípios não são opostos, mas complementares da realidade, e é nisso que se apóia a Teologia das Religiões afro-brasileiras, em outras palavras, na razão (consciente) e no irracional (inconsciente que corresponde a maior parte da mente).

A partir do conhecimento supra é necessário reiterar que as religiões afro-brasileiras (as várias Escolas) umas mais outras menos, conceitua suas entidades sobrenaturais como origem e fonte do comportamento (ethos) de seus “filhos de santo”, algo que determina, consolida e fortalece a identidade individual e coletiva (relações sociais positivas).

Conceitua-se de forma simples o inconsciente coletivo para designar parte do inconsciente que contém arquétipos, sendo, portanto, comum a todos os homens. E é no conceito de arquétipo que se alia os fundamentos do Orisha (Olori) e de seu “filho de santo” que lhe segue o perfil comportamental, como forma de identidade normal e não patológica (esquizofrenógena) como era da praxe acadêmica em passado recente.

Arquétipo ou imagem primordial (Jung) não tem sua origem conhecida e se repete em qualquer época e em qualquer lugar do mundo, mesmo onde não é possível explicar a sua transmissão por descendência direta. Os arquétipos nas religiões afro-brasileiras criam mitos dramatizados nos rituais do terreiro e da própria vida cotidiana, da mesma forma que influenciam várias tendências da comunidade ou sociedade como um todo.

Essa energia psíquica muito antiga (arquétipo – arque-antigo e tipo) presente no inconsciente coletivo (de todos os homens) é como se fosse o DNA psíquico, idêntico a todos os homens, mormente em seu aspecto nuclear, sendo o periférico característico a cada indivíduo (como exemplo cita-se o Orisha Ogun (Nuclear) e Ogun Onirê (o periférico) – próprio do indivíduo).

Introduz-se assim o conceito de Consciência que é um atributo humano que permite (re)-conhecer “quem sou” (consciência em si e de si), quem é o outro (que é diferente de mim) e o transcendente (o absolutamente outro).

Esse processo histórico é o de construção da identidade (de uma pessoa, grupo, povo, nação) por meio da consciência.

Com esse ensejo conceitua-se a individuação, processo de tornar-se um indivíduo ou de dar-se conta de que se é um indivíduo. Tal como empregado por Jung, o termo parece incluir não apenas a idéia de aperceber-se de que se é separado ou diferente dos outros, mas também a idéia de que se é uma pessoa integral e indivisível.

Assim se conceitua tais atividades que são robustecidas nos transes de possessão ou outros nas religiões afro-brasileiras, e mesmo como se dizia, fenômenos esquizofrenógenos, tais como fantasias e devaneios vários.

Depois desses conceitos sumarizados não se pode cogitar o que vem sendo teorizado ou pressuposto por várias vertentes científicas, mormente as antropológicas. Tem-se questionado que o período do Homo neanderthalensis ao Homo sapiens sapiens é muito curto para explicar os avanços tecnológicos e científicos alcançados. Do sílex às aeronaves que propiciam as viagens interplanetárias há um abismo de fases que deveriam ser superadas no processo de desenvolvimento psíquico e o período é insuficiente. E, então?

Aventa-se a hipótese de civilização extra-terrestre ter vindo de outros lócus do universo e ter proporcionado aos homens terráqueos condições psícosomáticas superiores, o que explicaria o recorde de transformações que se consubstancia no desenvolvimento da humanidade contemporânea.

A saga aventada pela ciência corrobora com a presença dos Orishas no Aiyê; e, principalmente a de época em que não havia limites entre o Orun (espaços sobrenaturais?!) e o Aiyê (Terra). Segundo o mito, por motivo de transgressão dos homens, Oxalá, de seu Espaço Sagrado lançou seu bastão de Poder Divino (Opashoro), que separou definitivamente o que era Orun do que era Aiyê.

Não seria essa civilização que teria estruturado o processo de desenvolvimento da comunidade planetária terrena? Não seria essa a explicação determinante sobre o arquétipo do Orishá? Isto é, Eles “deuses” se fizeram “homens”, todavia sem retirar as características fundamentais da herança humana, embora hibridizassem nos homens seus mundos de Luz e Sabedoria. Não seria essa a herança que se carrega que se vivencia e se forma a identidade do indivíduo, por intermédio do arquétipo?

Espera-se continuar e a discussão no próximo trabalho, que terá como mote o que foi exposto e se aprofundará no conceito do arquétipo e do fundamento do Orisha das várias religiões afro-brasileiras. Axé!


Obs. Resolveu-se grafar Orisha com sh como se fez nos primeiros textos, desde 1989.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar

http://sacerdotemedico.blogspot.com/

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - TRADIÇÕES DAS TRANSFORMAÇÕES

Religiões Afro-brasileiras – Tradições das transformações

“A constante da Tradição é a contínua mudança, logo as Religiões afro-brasileiras são uma unidade aberta que permite várias leituras”. (F. Rivas Neto)

A Tradição das Religiões afro-brasileiras é constituída de núcleo (fundamentos básicos) e de periferia, condizente com as noções de tempo e espaço, com a contemporaneidade, mas sem enfrentamento com seus princípios de espiritualidade na comunidade, contrária aos ditames do consumismo do Sagrado.

Este é o tema discutido no vídeo “Religiões afro-brasileiras – uma visão plural do Sagrado”. Claro que não se pretendeu esgotar o assunto, mas ensejar pesquisas e estudos sobre as funções comunais da Teologia, do Sagrado, da Espiritualidade Universal. Axé!







Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar
http://sacerdotemedico.blogspot.com/search?updated-max=2011-08-22T00%3A00%3A00-03%3A00&max-results=3

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - TEOLOGIA ORI/BARÁ






Religiões Afro-brasleiras - Teologia Ori/Bará


RESUMO

A Teologia das religiões afro-brasileiras tem como objeto de estudo o pensamento, a cosmovisão e os fenômenos sócio-culturais e espirituais das religiões de matriz afro-brasileiras ou simplesmente brasileiras.

As religiões afro-brasileiras têm como característica fundamental a Tradição Oral, ou seja, o conhecimento se encadeia na herança deixada e transmitida de geração a geração, constituindo os núcleos epistêmicos, social, ético e principalmente da fé e rituais que expressam os mitos e as crenças.

Nestas tradições religiosas o conceito fundamental é calcado na vivência coletiva e individual das divindades sobrenaturais – Orixás (no conceito Jejê-Nagô) tidos como Pais ou Genitores Divinos ou dos Ancestrais – Pais de Linhagens.

Palavras-chave: Bará, Cosmovisão, Ori, Religiões Afro-brasileiras, Teologia



ABSTRACT



African-Brazilian religions' theology have as objects of study the thought, the cosmoview and socio-cultural and spiritual phenomena of religions of african-brazilian matrix or simply Brazilian religions.

African-Brazilian religions have as a fundamental characteristic Oral Tradition, that is, knowledge is linked together in inheritance and passed from generation to generation,constituting the epistemic, social, ethical cores and above all the faith and rituals that express the myths and beliefs.

In these religious traditions, the fundamental concept is grounded in individual and collective experience of supernatural deities - Orishas (the concept Jeje-Nago) taken as a parent or Divine genitors or the Ancestors - Parents of lineages.

Keywords: Bara, Cosmoview, Ori, Afro-Brazilian Religions, Theology


RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS-TEOLOGIA-ORI/BARÁ

INTRODUÇÃO

A Teologia das religiões afro-brasileiras tem como objeto de estudo o pensamento, a cosmovisão e os fenômenos sócio-culturais e espirituais das religiões de matriz afro-brasileiras ou simplesmente brasileiras.

As religiões afro-brasileiras têm como característica fundamental a Tradição Oral, ou seja, o conhecimento se encadeia na herança deixada e transmitida de geração a geração, constituindo os núcleos epistêmicos, social, ético e principalmente da fé e rituais que expressam os mitos e as crenças.

Nestas tradições religiosas o conceito fundamental é calcado na vivência coletiva e individual das divindades sobrenaturais – Orixás (no conceito Jejê-Nagô) tidos como Pais ou Genitores Divinos ou dos Ancestrais – Pais de Linhagens.

Tanto uns como outros, assim como tudo que tem existência se manifestam em dois planos: o natural e o sobrenatural. O natural (Aiyê) é manifestação do sobrenatural (Orun). Portanto tudo tem duplicidade, e isto é fundamental no entendimento do pensamento dos afro-brasileiros.

Outro conceito basilar é o de Existência. A existência pode ser genérica (matéria indiferenciada) ou individualizada (matéria diferenciada). É digno de nota, que em outros textos disponibilizou-se o conceito de princípios genéricos manifestos por intermédio da simbologia das três cores: branco, vermelho e preto. Nisto se alicerça o conceito de Axé- Princípio Fundamental, dinâmico, que permite o realizar e ao mesmo tempo seu desenvolvimento.

Após as considerações supra, temos que aditar que o ser humano é constituído por elementos coletivos, representações deslocadas de entidades genitoras míticas ou divinas e ancestrais ou antepassados (de linhagem ou família) e por combinação de elementos que constituem sua especificidade, ou seja, sua unidade individual (ELBEIN)

Segundo conceitos já discutidos podemos associar a existência no aiyê (terra – mundo natural) a:

Ara – matéria – porção ou “corpo”

Bara – oba – ara – “rei do corpo” – A existência – vida – realização

Emi – respiração – ser vivo individualizado – o espírito

Ori – a cabeça (destino – consciência individualizada)

O conceito de Ori está associado a destino. Adquirir um Ori é possuir destino, consciência individualizada, sendo esta a condição necessária e suficiente para o “ser humano” completar seu ciclo existencial – ato primeiro: nascimento.

Quanto ao destino a “modelação” das cabeças associa-se a odu – signo que aponta, não de forma imutável, o destino do indivíduo. Ao contrário, o indivíduo é livre para se manifestar, mas as adversidades podem ser em decorrência de se afastar muito de seu odu-signo, algo que pode ser reescrito, retificado por intermédio de vários rituais de fundamento preceituados por Orunmilá-Ifá – o Orixá do destino.

O presente “discurso” da Tradição Oral do Ori/Bará – Corpo/Cabeça (como unidade indivisível) se propõe discutir relações espirituais (anímicas-ori) com o sistema nervoso, o encéfalo e nele o cérebro, pois além do mesmo estar na cabeça (encéfalo-dentro da cabeça) pode ser o ponto de equivalência do Ori Aiyê ou Ori Inu a contra parte do Ori Orun, representado pela cabaça ritualística ou louça denominada Ibá-ori.

SUMARIZANDO O SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O protoplasma, o principio vital, pode ser caracterizado por três propriedades fundamentais: irritabilidade, condutibilidade e contratilidade.

À guisa de exemplo cita-se a ameba (protozoário-unicelular), como o modelo inicial e que explica as modificações no processo filogenético do sistema nervoso central.

A irritabilidade ou sensibilidade permite que a ameba detecte as modificações do meio externo. Quando reage a esse estímulo é que houve a condutibilidade. A resposta pode se manifestar por um encurtamento – contratilidade. Ela foi sensível e conduziu informações sobre o estímulo a outras partes da célula determinando retração de um lado e emissão de pseudópodes do outro.

No processo da evolução filogenética encontra-se basicamente na extremidade das células nervosas (neurônios) situadas na superfície desenvolveu-se uma formação especial denominada receptor (recepção). O receptor transforma vários tipos de estímulos físicos ou químicos em impulsos nervosos que podem, então, ser transmitidos ao efetuador, músculo ou glândula.

O que se deseja discutir de forma sumarizada é que o sistema nervoso central só surgiu após muitas experimentações ou desenvolvimento filogenético, sendo o sistema nervoso central do ser humano, a forma equilibrada e mais desenvolvida.

O que se supõe é que o sistema nervoso difuso (celenterados) foi evoluindo e nos platelmintos e anelídeos foi substituído por um sistema nervoso central (centralização do sistema nervoso).

Assim surgiram os neurônios sensitivos ou aferentes e os neurônios motores ou eferentes. São aferentes os neurônios, fibras que trazem impulsos a uma determinada área do sistema nervoso e eferentes os que levam impulsos desta área. Portanto, aferente é o que entra e eferente ao que saí de determinada área do sistema nervoso.

Depois deste sumário filogenético, onde se observou que o sistema nervoso central é recente no processo de evolução das espécies (o que será importante quando se discutir o “adquirir ori”)

No processo embriológico do sistema nervoso encontraremos três dilatações no tubo neural (que dá formação ao sistema nervoso no embrião): o prosencéfalo (telencéfalo e diencéfalo); mesencéfalo e rombencéfalo, (metencéfalo e mielencéfalo).


CONCEITO BÁSICO DO FUNDAMENTO ORI/BARÁ

No estudo ligeiro do Sistema Nervoso observou-se que a evolução foi do sistema nervoso difuso para o central, ou seja, no início da vida planetária não havia “cabeça” ou centro diretor representado pelo Sistema Nervoso Central basicamente: cérebro (telencéfalo e diencéfalo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e cerebelo. A medula completa as estruturas. O encéfalo compreende todas as estruturas anatomo-fisiológicas citadas, exceto a medula espinhal.

Como se discutiu em outros textos sobre ori/bara, neste deseja-se demonstrar que a evolução biogenética permitiu que os “espíritos” pudessem adquirir um ori/bará, isto é, o corpo humano propicia forma de manifestar o ori (destino) e seu aperê (suporte).

Não se está afirmando que o cérebro é o Ori. Mesmo o ori ayê (cabeça física) não é o cérebro, mas aspectos tangíveis (conscientes) da mente. Claro está que não associamos o cérebro à mente. Quanto muito se afirma que o mesmo é manifestação, veículo da mente.

No que concerne ao Ori-Inu (dentro da cabeça) pode-se associar ao aspecto quintessenciado da glândula pineal ou epífase tida por muitos como a glândula da vida espiritual ou repositório vivo do Ori-Inu ou destino, que é motivo de culto, louvação e oferenda, algo que é consolidado na cabeça (crânio) do indivíduo e no Ibori (cabaça de Ori)

No término desta introdução cita-se um texto do livro – Os Nagô e a Morte – Juana Elbein dos Santos, 1ª edição, onde melhor se entenderá o conceito desenvolvido e como conclusão disponibiliza-se o vídeo “Religiões afro-brasileiras-Teologia- Fundamento Ori-Bará”.

“Eles jogaram Ifá para Ajalá (fazedor de todas as cabeças). Ajalá é aquele que Oludumare designou para modelar ori (no ode orun). É um Orixá antigo. Ele modela ori todos os dias e os põe no solo. Aquele que vai do Ikolé-Orun para o mundo é obrigatório que ele chegue até Ajalá para ter uma cabeça. Quando ele aí chega pode fazer sua escolha.

Os que trabalham com Ajalá são: Orixalá-Ejiogbe, OyeKu-meji, Iwori-meji, Odi meji, Irosun meji, Oworin meji, Obará meji, okanran meji, ogundá meji, Osa meji, Ika Meji, Oturopon meji, Otura meji, irete meji, oxé meji, ofun meji. Eepa à (nosso respeito a todos eles). Todos esses odu que com Axetua são dezessete, trabalham com Ajalá em modelar ori todos os dias.

A porção retirada na qual cada ori é modelado é o Egun Ipori (matéria ancestral). Cada um deverá venerar sua matéria ancestral para prosperar no mundo e para que ela venha a ser seu guardião.” ELBEIN, Juana. Os Nagô e a Morte. Ed. Vozes.1978.




CONCLUSÃO

A conclusão esta disponibilizada no vídeo “Religiões afro-brasileiras-Teologia- Fundamento Ori-Bará. Axé!






Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar"
http://sacerdotemedico.blogspot.com/

O DESPERTAR ESPIRITUAL





O DESPERTAR ESPIRITUAL

A REVOLUÇÃO DE TODAS AS REVOLUÇÕES

A consciência de milhares de pessoas está a um passo de um grande despertar.

Não demorará muito para que pela primeira vez na história do plano terrestre, possamos experimentar a primeira escala de despertar em massa, em termos de números isto não chegará a 0,1% da humanidade, mas, alguém já conseguiu imaginar que na terra pudesse um dia existir simultaneamente milhares de Cristos ressuscitados, Budhas despertos, Krishnas divinizados, ou seja, milhares de seres humanos plenamente realizados vivendo como contemporâneos?

Como em todos os demais momentos cruciais da história, onde um pequeno grupo de pessoas, representaram a força motriz de um processo de mudança, todavia nesta revolução não será diferente, mesmo tratando-se de uma revolução espiritual pois, através desta as pessoas não serão usadas em sua inconsciência como massa de manobra e simplesmente manipuladas para que um grupo determinado possa atingir um fim, muito pelo contrário, tudo será compartilhado e servirá para a elevação da consciência coletiva.

A espiritualidade representa a revolução mais profunda, silenciosa e visceral da cultura humana, porque a revolução espiritual transcende toda a lógica comum e vai muito além de qualquer ideologia já pensada em bases limitadas e utópicas, sem dizer que esta tem como base uma matriz que é a oposta de toda a matriz da dinâmica da psicologia do ego.

Enquanto o ego lança o homem a um estado selvagem e primitivo cujo alicerce de relação primordial entre os seres está baseado no julgamento, no medo, na competição, na disputa, na luta, na barganha e no interesse unilateral a dinâmica espiritual estabelece o perdão, o ágape fraterno, a colaboração, a ajuda mútua, a fraternidade e o amor ao próximo como a base da verdadeira comunicação e alicerce das relações humanas.

Enquanto o ego está sempre preocupado em receber e busca com voracidade tudo para si, alimentando o espírito capitalista do consumismo alienado que caminha em direção a um comportamento doentio e destrutivo que gera desequilíbrio em todo o planeta, a espiritualidade reconhece no interior de cada indivíduo a verdadeira fonte de riqueza, realização e plenitude, contribuindo para o fundamento concreto de uma nação universal sem fronteiras, pacífica, construtiva e verdadeiramente saudável.

Enquanto a história da revolução humana tem por relevo e destaque as mudanças econômicas e as relações de produção de cada época, a revolução espiritual vai muito além, porque supera todos os paradigmas humanos, modificando não somente o modo do homem de produzir e gerar riquezas, mas de se relacionar consigo, com seu semelhante, com a natureza, colocando-o como o valor central de todos os valores, retirando assim o capital do ponto central das bases e motivações do agir humano.

As linhas gerais da natureza apontam para o início de uma transição da consciência planetária que está muito além daquilo que a velha mente preconceituosa tenta denominar pejorativamente de místico e supersticioso, entretanto, a expansão da consciência como fenômeno observável dentro da psicologia social vigente desprovida do academicismo, prova dia e mais dia que o número de indivíduos que caminham nesta direção se multiplicam de uma forma nunca antes vista e, portanto afirmo com convicção, estamos no limiar de uma nova era, como muitos já vem anunciando a tempos.

Certamente a educação terá um papel fundamental, como já está tendo um papel crucial neste processo, uma educação holística que não alimenta a patologia do desenvolvimento unilateral, mas que contribui para uma visão global de ser humano, auxiliando na transição de uma sociedade "patriarcal" e animalista para uma sociedade natural humanista, pode-se dizer que a transformação do individuo por esta nova educação é a base desta revolução.

Bem vindo a revolução de todas as revoluções, bem vindo ao Despertar Espiritual!

fonte::http:dedentrodamatrix.blogspot.com
Blog Umbanda Online

ABANDONANDO PALAVRAS E OUTROS SÍMBOLOS E CAMINHANDO SENTIDO O INATINGÍVEL







ABANDONANDO PALAVRAS E OUTROS SÍMBOLOS E CAMINHANDO SENTINDO O INATINGÍVEL

Durante a jornada rumo ao "profundo", o principiante valoriza por demais as palavras, os discursos, as idéias, os livros sagrados, as interpretações dos livros sagrados, etc.

Há um certo vislumbramento diante de um mundo novo, uma ansiedade por integrar rapidamente muitas informações e experiências, um empolgação semelhante a da criança diante de uma nova brincadeira.

Mas o tempo do amadurecimento interno não se assemelha em nada ao tempo capitalista que corre neuroticamente contra tudo e todos, por que tempo é dinheiro, e onde se anseia por resultados que sejam os mais imediatos possíveis.

Algumas pessoas não amadurecem e permanecem a vida inteira presa a aspectos externos e ritualísticos, a símbolos, costumes e tradições e, principalmente, a discursos, a teoria, a princípios rígidos, a defesa da fé.

O tempo para o amadurecimento interno, se assemelha mais com a relação estabelecida entre o homem do campo e a natureza, onde se trabalham os processos de cultivar a terra, o plantio, o cuidado com o plantio, até chegar o momento do broto romper a casca, de surgirem as mudas, de cuidar-se das mudas, ou seja, são obedecidos ciclos naturais

Há todo um processo natural onde o trabalho consiste em criar condições necessárias para que o resultado surja de forma espontânea.


Podemos portanto comparar as palavras, os discursos e as discussões a enxadas, garfos, pás, material de arado e nossas primeiras esperiência internas como sementes e, conforme este processo vai tornado-se mais profundo, começamos aos poucos a abandonar tais ferramentas e nos voltamos para o silêncio, nossos primeiros insights são como o romper da semente e a partir disso, o caminho para estabelecer contato com o sagrado, torna-se contemplativo, pacificador, buscamos silenciar a mente e a aprender através da voz do silêncio.


Vamos abandonando as palavras e outros símbolos e caminhando sentido o intangível, sem necessidades de provar nada a ninguém ou de estabelecer posturas e novos papéis, simplesmente nos abrimos a uma experiência que está além daquilo que pode ser expresso ou controlado por nós mesmos, pelo contrário, aqui nos rendemos a manifestação da Grande Vida e permitimos que a experiência da verdade possa nos alcançar e, assim, nosso trabalho é simplesmente nos tornar disponíveis ao sagrado.

É neste instante que o silêncio se torna mais importante do que as palavras e, entendemos por que nos diz o ditado que;

"a palavra é de prata mas que o silêncio é de ouro".

fonte:dedentrodamatrix.blogspot.com
Blog Umbanda Online