BLOG - UMBANDA PARA O MUNDO

Blog voltado às informações e conceitos da Umbanda Blog criado para divulgação de tudo que diz respeito à Umbanda e aos umbandistas, crenças e cultos afins, no Brasil e no mundo.

MONOTEÍSMO, POLITEÍSMO E PANTEÍSMO NA UMBANDA

Por Roger Taussig Soares - professor da FTU-Faculdade de Teologia Umbandista


A Umbanda é uma religião brasileira, cujas raízes históricas antecedem ao marco do mito fundador construído em torno de Zélio Fernandino de Morais. De fato, houve um período de transição no qual começaram a surgir elementos típicos da Umbanda nos cultos originais de ascendência africana, ameríndia e européia. As manifestações de espíritos ancestrais por meio da mediunidade de incorporação marcou a passagem dos cultos de nação para aquilo que viria a se compor como o movimento umbandista. Com o surgimento de espíritos de caboclos, pretos-velhos, exus e outros, modificaram-se os valores originais daquelas culturas ao mesmo tempo que se aproximaram as tradições por meio do sincretismo. O resultado foi a constituição de um sistema de crenças brasileiro de caráter peculiar, tanto em termos de práticas litúrgicas como da metafísica ou cosmologia. Uma das singularidades da Umbanda se encontra na forma de enxergar as hierarquias divinas.
De modo geral, há duas formas de espiritualidade: a teista e a não-teista. Embora alguns advoguem o respeito às diferenças alegando que "todas religiões são boas porque acreditam no mesmo Deus", a verdade é que existem grupos não-teistas como os budistas(portanto, sem um deus) e grupos que são essencialmente politeistas ou panteistas e que merecem o mesmo respeito que as religiões de origem abrâmica. Além disso, existem escolas ou seitas dentro das grandes religiões que adotam posturas diferentes no que diz respeito às divindades.
Com o risco de pecar por excesso de generalização, podemos dizer que do cristianismo recebemos uma herança eminentemente monoteísta, dos africanos somos tributários de um caráter politeista e dos indígenas adquirimos uma visão da natureza que pode ser associada a um panteismo.
O monoteismo significa a crença em um único Deus, de caráter supremo e onisciente. Das religiões abrâmicas encontramos no islamismo o melhor exemplo de monoteismo, já que não há adoração a ninguém mais a não ser para Allah. O cristianismo parte já de uma visão plural da divindade, no sentido de que temos o Deus-Filho e o Espírito Santo ao lado de Deus-Pai, constituindo o mistério da Santíssima Trindade. Particularmente, o catolicismo apóstólico romano atribui a espíritos humanos desencarnados uma posição especial com poderes espirituais específicos e uma adoração na forma da plêiade de santos tão próximos das culturas populares. Tais práticas foram descartadas pelas igrejas protestantes.
Os cultos de nação africanos, sejam de origem iorubá quanto banta, expressam um conjunto de deuses criadores e sustentadores da natureza que são denominados Orixás, Voduns ou Inquices, de acordo com a tradição. Alguns entendem que tais cultos sejam verdadeiramente politeistas, enquanto muitos adeptos das religiões africanas afirmam serem monoteistas pelo fato de existir um deus supremo ou melhor dizendo, um deus criador, chamado Olodumare, Olorun ou Zamby Apongy. Todavia, a categoria que melhor expressa a prática dos cultos africanos é a de religiões "henoteistas". Nesse grupo estão as religiões que admitem a existência de várias divindades mas que adotam uma única como objeto de devoção. Essa era justamente a forma como se reverenciava os Orixas nas cidades-estados africanas. Como exemplo, citamos o culto a Xangô em Oyó, o culto a Oxossi em Ketu ou o culto a Yemanjá em Abeokutá.
Dentre as várias teogonias e cosmogonias das nações indígenas brasileiras, tanto do Tronco Tupy quanto do Macro-Jê, veremos muitas maneiras de contato com o Sagrado e chama a atenção a presença dos encantados que revela uma tendência panteista na assimilação dos seres naturais, humanos ou animais, pelo universo do Sagrado.
No surgimento da Umbanda encontramos a fusão harmônica dessas múltiplas perspectivas. O aparecimento de entidades espirituais como mediadoras desse encontro de culturas foi instrumental no processo do sincretismo e favoreceu uma transição no tempo e no espaços para as várias formas de acepção da divinidade. Embora como resultante constatemos que a Umbanda reconhece o Sagrado desde sua origem imanifesta até sua concretização mais palpável na natureza e ainda desvele o caráter sagrado do próprio ser humano, fomos por esse motivo mesmo vítimas de preconceito e segregação. O etnocentrismo próprio das culturas dominantes impôs sobre todas as culturas que não eram monoteistas os rótulos de "religiões primitivas" e de "culturas atrasadas".
Atualmente vemos novamente a Umbanda reavivando as discussões acerca do Sagrado e uma importante síntese foi proposta por F. Rivas Neto, fundador da FTU - Faculdade de Teologia Umbandista, com o título de "A Vertente Una do Sagrado".
De acordo com o ilustre sacerdote umbandista, existiria uma estrutura básica para a teogonia da maioria das religiões que demonstram uma funcionalidade como abaixo descrita:
  1. Divindade Suprema ou Realidade Última
  2. Potestades Divinas (inclui os Orixás, os Arcanjos e demais seres primordiais)
  3. Ancestrais Ilustres (seres humanos divinizados)
  4. Humanidade
  5. Natureza
Como a Umbanda é uma "unidade aberta", nas palavras de F. Rivas Neto, esses conceitos não são definitivos e têm sido continuamente explorados e aprofundados. Enquanto subsistem as noções de sagrado e de profano, a religião umbandista avança na expectativa de ampliar a compreensão do sagrado e unir essa ponte.

Religiões e Espiritualidade .

POR UMA ÉTICA UMBANDISTA


A profusão de valores que convivem de modo caótico na sociedade pós-moderna favorece o dinamismo dialético das relações sociais, mas parece gerar também uma carência de referenciais percebida em várias instâncias da vida cotidiana. A multiplicidade de pensamentos se evidencia no âmbito da cultura, da religião, das ideologias, da sexualidade, das artes e por aí em diante. Se, de um lado, devemos valorizar a riqueza que a diversidade produz ao incentivar olhares diferentes sobre os mesmos temas, ampliando sua compreensão; de outro lado, também devemos ter a consciência de que certas questões não deveriam ser tratadas do mesmo modo e a preservação de princípios absolutos, como a igualdade perante a lei, precisa ser garantida para o próprio exercício da pluralidade. Quando se confundem os campos onde deve existir tolerância com aqueles onde se deve cobrar rigor, o resultado é a perda da ética e o atropelamento das liberdades.
Tomando como exemplo a política, verificamos que sua teia é tão complexa e os jogos de poder tão emaranhados que se tornou senso comum pensar que caso surgisse um político ou governante integralmente honesto, ele(ou ela) deveria ceder às pressões e entrar no esquema para não ser expelido pela máquina. Em nome da "governabilidade" acordos espúrios, alianças nebulosas e omissões convenientes são tolerados pelos eleitores na esperança de que, por vias tortuosas, seus representantes alcancem os propósitos anunciados como promessas durante as campanhas. Mas como diz a sabedoria sertaneja, "se atalho fosse bom, não existiria a volta".

No âmbito público são necessários clareza e transparência. Não podemos assumir a atitude de desilusão, achando que não há como mudar. Tampouco devemos sucumbir ao aparentemente irresistível apelo da banalização que torna o próximo crime apenas mais um, em uma sequência interminável.

Ao contrário, podemos lançar mão daquilo que temos como riqueza, que é o nosso olhar que se forma desde a posição da diversidade e da minoria típicas do movimento umbandista, para fazer emergir o monstro da lagoa e podermos enxergá-lo em sua nudez.

Digo isso porque na passagem das gerações, certos valores que se foram construindo ao longo dos séculos, mas que não existiam absolutamente por si só, são tomados como algo natural, auto-sustentados desde sempre. Os pressupostos da democracia como a melhor forma de governo, ou do espírito capitalista e do liberalismo como sistemas de oportunidades para todos merecem a crítica e a reflexão renovado pelo olhar dos que representam a outra ponta da corda. Não fazemos isso e nos quedamos com a sensação ilusória de indissolubilidade de um sistema que, a exemplo da crise econômica dos subprimes norteamericanos, pode ruir a qualquer momento por si próprio. Se tal sistema é capaz de desmoronar pelas próprias inconsistências internas, que dirá pela ação esclarecedora da espiritualidade munida da razão?

Antes da reforma protestante, vivia-se o ideal ascético de pobreza oriundo do catolicismo que impunha uma visão salvacionista aos seus fiéis para justificar a resignação que deles se esperava, enquanto alguns poucos(aristocratas e a própria Igreja) acumulavam os bens materiais.

Com o surgimento da dissidência cristã promovida inicialmente por Lutero e por Calvino, uma nova mentalidade teria se desenvolvido servindo de suporte, como diria Weber, para o nascimento do espírito do capitalismo. Nessa nova versão do contato com os preceitos crísticos, a graça dos eleitos por Deus se manifestava na riqueza material que serviria para glorificar e melhor servir à obra divina. Os trabalhadores, assim como os patrões, de origem protestante, aderiam a regras de conduta rígida, para alguns também ascética, que serviam de suporte para os laços de confiança social e de garantia na realização de negócios entre irmãos de fé. Segundo Max Weber, o espírito do capitalismo surge mesmo em decorrência da mentalidade nutrida pela fé protestante.

Chegamos então à questão crucial(sem trocadilhos) que nos leva a fustigar o monstro sob as águas. Se o capitalismo teve início há tão pouco tempo, não terá também um fim? Qual seria a nova forma de governo, o novo sistema político e econômico que poderia suplantar o capitalismo e a democracia em suas vantagens, sem os desvios do comunismo? Qual o papel de nós, umbandistas, na elaboração dessa nova ética capaz de reconfigurar os laços sociais? Teremos o poder de, assim como os protestantes supostamente o fizeram, criar um espírito que predisponha ao surgimento de uma nova ordem social?

Lançando mão do distanciamento que nos permite o fato de sermos umbandistas, podemos enxergar na posição dos católicos medievais e dos protestantes modernos o mesmo pressuposto subjacente: o direito à propriedade. Enquanto os católicos afirmavam a propriedade por meio da negação desse direito como oferenda em sacrifício, os protestantes afirmavam também a propriedade como forma de enaltecer as bençãos dos céus.

Pela nossa visão, não se trata nem de afirmar, nem de negar a propriedade(reafirmando-a), mas de perguntar primeiro se ela é possível. Se somos seres espirituais, por definição imateriais, adimensionais e atemporais, como podemos ter posse de algo se nossa própria manifestação corpórea não é constante? Se fomos criados ou se apenas originados de uma mesma essência ou realidade absoluta, não deveríamos combater as desigualdades por terem sido introduzidas artificialmente pela ignorância humana e não pela vontade divina?

Na participação política e social dos umbandistas, devemos fazer mais do que simplesmente nos ajustar às conformações do sistema que já impera para encontrar nosso lugar ao sol. Devemos, sim, desafiar consistentemente as próprias bases mentais cármicas que nos conduziram ao estado atual das coisas e estabelecer as fundações para uma nova forma de vida. Não sabemos ainda qual será, mas temos a certeza que dela seremos protagonistas e não simples coadjuvantes como a história nos tem figurado até hoje.

ESCOLAS UMBANDISTAS E DIÁLOGOS

Escolas Umbandistas e Diálogos






Nas religiões afro-brasileiras ou afro-americanas, pela diversidade de seus adeptos, há também uma diversidade de ritos e formas de transmissão do conhecimento. A essas várias formas do entendimento e vivências das religiões afro-brasileiras denominamos Escola.
As várias escolas correspondem a visões, umas voltadas mais aos aspectos míticos e outras à essência espiritual, abstrata.
As várias formas de interpretar e manifestar a doutrina são diferentes, mas a essência de todas é a mesma, e no caso da Umbanda, todas são legitimamente denominadas umbandistas.
Por isso afirmamos que a constante da Tradição Umbandista é a contínua mudança, portanto, uma unidade aberta em constante reelaboração. Esse é o motivo, quando temos a oportunidade, de dizer que não temos a última resposta, pois não temos a última pergunta! Esta última assertiva demonstra de forma fidedigna o porquê de incentivarmos uma aproximação dialógica da doutrina das religiões afro-brasileiras com a ciência. Esperamos que ambas aprendam com o diálogo. Afinal, temos o diálogo como terapia...


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OS ARQUÉTIPOS DA UMBANDA



Entenda por que os mentores da Umbanda se apresentam como pretos-velhos, caboclos (índios), exus...
Segundo os filósofos arquétipos são idéias como modelos de todas as coisas existentes ou idéias presentes na mente de Deus. Segundo a psicologia são formas imateriais às quais os fenômenos psíquicos tendem
a se moldar. Carl Jung usou o termo para se referir aos modelos inatos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique.

Eles são as tendências estruturais invisíveis dos símbolos. Os arquétipos criam imagens ou visões que correspondem a alguns aspectos da situação consciente. Jung deduz que se originam de uma constante repetição de uma mesma experiência, durante muitas gerações. Funcionam como centros autônomos que tendem a produzir, em cada geração, a repetição e a elaboração dessas mesmas experiências. Eles se encontram isolados uns dos outros, embora possam se interpenetrar e se misturar.

Os guias possuem diversos arquétipos pelos quais se apresentam através da incorporação. Cada arquétipo está ligado a uma determinada Linha Espiritual. Alguns exemplos de arquétipos são: os Preto-Velhos, os
Caboclos, os Baianos, as Crianças, os Marinheiros, os Ciganos, os Boiadeiros, os Exús e as Pombo-Giras.

Os arquétipos são roupagens utilizadas pelos guias para se apresentarem no Centro e não espíritos que, necessariamente, tenham sido escravos, índios ou ciganos, embora existam aqueles que realmente o foram. Os Preto-Velhos, por exemplo, pertencem a uma linha que nasceu como forma de organização de todo um contingente de espíritos que iriam atuar dentro do movimento umbandista que surgia.

As primeiras linhas fundamentadas na Umbanda foram a de caboclo e a dos Preto–Velhos. Utilizou–se uma figura mítica já presente dentro da cultura brasileira e criou–se toda uma linha de trabalho, onde todos os seus representantes teriam trejeitos e características similares.

A linha dos Preto–Velhos é transmissora da calma, da sapiência, da humildade, detentora do conhecimento sobre os Orixás e que fala ao simples de coração, bem como ao mais erudito doutor, sempre com palavras de amor e espalhando luzes dentro da espiritualidade terrena. Esta foi uma forma de identificar e aproximar a população ao culto nascente.

Temos o arquétipo detrás de cada uma das linhas. Os Preto-Velhos estão fundamentados no arquétipo do sábio ou do ancião que com as experiências vividas alcançou a sabedoria. Em cima desse arquétipo, muitos mitos foram criados dentro da cultura universal, onde a figura do ancião sempre foi utilizada como símbolo para a sapiência. Um dos mitos brasileiros para esse arquétipo é a figura do Preto-Velho, que sofreu, tinha poucas
condições, mas tudo isso superou, com fé, amor, determinação. Na verdade, dentro da figura simbólica do Preto-Velho vemos um ideal deluta e superação das pessoas, em volta de muita fé e muito amor.

O arquétipo psicológico associado a Oxum se aproxima da imagem que se tem de um rio, das águas que são seu elemento; aparência da calma que pode esconder correntes, buracos no fundo, grutas - tudo que não é nem reto nem direto, mas pouco claro em termos de forma, cheio de meandros. Os filhos de Oxum preferem contornar habilmente um obstáculo a enfrentá-lo diretamente, por isso mesmo, são muito persistentes no que buscam, tendo objetivos fortemente delineados, chegando mesmo a ser incrivelmente teimosos e obstinados.

Iemanjá e Oxum dividem a maternidade. Mas há também outra forma de análise, a por faixas etárias, correspondentes a cada arquétipo básico. Nanã é a matriarca velha, ranzinza, avó que já teve o poder sobre a família e o perdeu, sentindo-se relegada a um segundo plano. Iemanjá é a mulher adulta e madura, na sua plenitude. É a mãe das lendas – mas nelas, seus filhos são sempre adultos. Apesar de não ter a idade de Oxalá (sendo a segunda esposa do Orixá da criação, e a primeira é a idosa Nanã), não é jovem.
É a que tenta manter o clã unido, a que arbitra desavenças entre personalidades contrastantes, é a que chora, pois os filhos adultos já saem debaixo de sua asa e correm os mundos, afastando-se da unidade familiar básica.

Para Oxum, então, foi reservado o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete,
maliciosa, ao mesmo tempo, que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer. Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês. Começa antes, até, na própria fecundação, na gênese do novo ser,
mas não no seu desenvolvimento como adulto. Oxum também tem como um de seus domínios, a atividade sexual e a sensualidade em si, sendo considerada pelas lendas uma das figuras físicas mais belas do panteão
mítico iorubano.

Divindade masculina, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Xangô é miticamente um
rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça - representa a autoridade constituída no panteão africano.

Embora surgida no Brasil em 1908, com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas pelo médium Zélio de Moraes, a Umbanda é mais antiga nos planos rarefeitos que o próprio planeta Terra. A maioria das chamadas linhas de Umbanda são muito mais antigas que a própria Umbanda, tendo em sua militância espíritos das mais diversas etnias ou culturas. Os guias da Umbanda são universais, atuando de forma discreta e desprovida de ego em muitas religiões e tradições espirituais, ocultados por roupagens energéticas que simbolizam a egrégora, o arquétipo e a vibração que dá sustentação ao trabalho por eles realizado.

O termo egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. A egrégora acumula a energia de várias freqüências, portanto, quanto mais poderoso for o indivíduo, mais força estará emprestando a egrégora para que ela incorpore às dos demais. É a somatória de energias mentais, criadas por
grupos ou agrupamentos, que se concentram em virtude da força vibratória gerada ser harmônica, ou seja, com todos reunidos para o mesmo objetivo.

O fator primordial na reunião dessas consciências espirituais é a sintonia com o arquétipo que existe por detrás de cada linha, que também pode ser identificado como um Orixá, uma vibração, um sentido, um elemento, um santo etc. Compreendendo os arquétipos, conseguimos entender algo não explicado de forma aberta dentro da Umbanda, mas principalmente, esclarecer o conteúdo umbandista para pessoas não familiarizadas com o universo mítico afro-brasileiro, desmistificando assim, nossa maravilhosa e querida Umbanda.
 
Patrícia Lacerda em Kardec online.

BUSCANDO O EQUILÍBRIO








10 PASSOS NA BUSCA DO EQUILIBRIO

Livrar a alma das mágoas, ter coragem, buscar sempre a harmonia. Regras simples de um coração tranqüilo.
Acompanhe as dez lições principais tiradas do livro Tao Te King, escrito há 2500 anos pelo sábio chinês Lao Tsé.

1 - A lição da UNIDADE
Readquirir a sensação de unidade com a natureza significa estar em sintonia com o fluxo da vida, do qual fazemos parte. Estar próximo à natureza, observá-la, nos integra de novo ao seu rítmo. Percebemos como tudo nela está em movimento _ e perdemos o medo das mudanças. Observamos como as energias opostas _quente, frio, seco, úmido_ se integram harmoniosamente e nos abrimos para a convivência como o que é diferente de nós.

2- A lição do CENTRISMO
Assumir o controle da própria vida é não ceder à influência das pressões do mundo. Por isso, quando as coisas começarem a sair do controle, respire fundo. Aquiete sua mente e procure atingir a serenidade que existe dentro de você. Para lidar melhor com as pressões externas, dedique um tempo maior para si mesmo. Procure ficar mais em casa, separe o que acontece dentro e fora de seu lar e não esqueça de incluir na agenda atividades criativas que possam expressar sua essência. Em tempo: aprenda a dizer não à invasão do seu espaço

3- A lição da COMPAIXÃO
O primeiro passo para praticar a compaixão é ser gentil consigo mesmo. Para poder amar ao próximo é preciso, antes, saber amar a si próprio _ só assim poderemos dar amor ao outro, pois já o vivenciamos. Aceitar conscientemente nosso corpo, características de personalidade e limites é uma prática de amor, um ato de generosidade. Só depois disso, é possível estender essa compreensão aos outros.

4- A lição da SIMPLICIDADE
Atividades excessivas podem roubar o prazer de viver. Portanto, simplifique. Evite o supérfluo, organize sua vida e sua casa, não assuma muitos compromissos. Crie espaços na vida, reserve tempo para pensar, relaxar, ler, pintar...

5- A lição dos CICLOS NATURAIS
Como as estações do natureza, nós passamos por várias fases na vida, que precisam ser vividas em sua totalidade, sabendo aceitar as mudanças. Além disso, existem os ciclos do dia-a-dia _ é importante identificar os períodos mais produtivos para concentrar neles as atividades mais relativas à criatividade.

6- A lição da NOÇÃO DO TEMPO
Aqui, o segredo é evitar os hábitos cotidianos que sabotam o tempo que temos à disposição. Entre eles estão a dificuldade de delegar tarefas, estabelecer prioridades e ser incapaz de dizer "não posso" ou "não quero".

7- A lição da CORAGEM
Para o Tao, a coragem se manifesta internamente _ é a disposição de sempre seguir o coração. Muitas pessoas têm medo de demonstrar o que pensam, viver de acordo com a própria convicção e serem rejeitadas por isso. Para acreditar em si, é preciso enfrentar os medos e aprender com eles. Outra idéia é ter em mente o que você deseja fazer, avaliar as condições reais e não se concentrar apenas no que pode trazer dificuldades.

8- A lição da FORÇA
A consciência do próprio valor ajuda a construir o poder pessoal. Ele é construído com base em duas energias, presentes em homens e mulheres: a yin, feminina, suave e emocional, e a yang, masculina, objetiva e ligada ao corpo físico. Entre as fórmulas para aumentar a energia yang estão: ser positivo, definir objetivos, alimentar-se bem, fazer exercícios e estar de bem com a vida. Além disso, é preciso buscar o poder da energia yin, da compaixão, representada pela humildade e pela perseverança. Assim unimos força e flexibilidade.

9- A lição da CAPACIDADE DE AGIR
Pessoas que agem são otimistas, trabalham com a perspectiva de sucesso e aceitam as mudanças como algo natural.

10- A lição da HARMONIA
Citando o exemplo do Aikidô, arte marcial japonesa que ensina a encarar o conflito apenas como energias em oposição, os padrões energéticos são dinâmicos e se movem. Isso significa que os opostos não são irreconciliáveis. Com base em uma compreensão maior, há condições de buscar pontos de vista que podem ser compartilhados e, assim, lidar melhor com o conflito.

PRECE DO AMANHECER

Senhor

No silêncio deste dia que amanhece,
Venho pedir-te a Paz, a Sabedoria, a Força.
Quero ver hoje o mundo com os olhos cheios de amor.
Ser paciente, compreensivo, manso e prudente.
Ver além das aparências teus filhos,
Como tu mesmo os vês,
E assim, não ver senão o bem em cada um.
Cerra meus ouvidos a toda calúnia.
Guarda minha língua de toda a maldade.
Que só de bênçãos se encha meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre,
Que todos quantos se achegarem a mim,
Sintam sua presença.
Reveste-me de tua beleza, Senhor,
E que, no decurso deste dia,

Eu Te Revele a Todos.

REFLEXÃO ...

Existem momentos, em que basta que fiquemos alguns instantes em reflexão, para descobrirmos o quanto somos importantes. E esses momentos nos dão as informações de que necessitamos para podermos seguir em frente ou decidirmos aquilo que mais nos aflige. É o que o nosso espírito precisa para aprender e progredir.